“UM EXERCÍCIO DE IMAGINAÇÃO”, DIZ AUTORA DE LIVRO SOBRE ENCONTRO NEANDERTAIS E HOMO SAPIENS

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PROVOCAÇÃO

Em ‘Os imortais’, Paulliny Tort transpõe o leitor para o paleolítico, período da história humana pouco falado na ficção

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Paulliny Tort | Crédito: Renato Parada/Divulgação

Como seria o diálogo entre um neandertal e um homo sapiens? É a partir dessa provocação que a escritora Paulliny Tort escreve Os imortais, sobre o período Paleolítico, pouco explorado na ficção.

A obra imagina o encontro entre os clãs, em uma história que revela muito sobre os humanos que somos hoje. Ao BdF Entrevista, a escritora explica que o tema permeia a sua vida desde a infância e que isso fez parte da sua existência, até chegar à inquietação que motivou a obra.

“Um livro que me marcou é uma edição da Unesp do evolucionista Robert Foley, chamado Os Humanos Antes da Humanidade, que é um livro sensacional, que eu recomendo para todas as pessoas. Acho que é um livro que deveria ser ministrado, estudado na escola. O Robert Foley fala desses outros hominídeos, essas outras espécies que pertencem ao gênero homo, do qual nós, homo sapiens, fazemos parte, e fala-se também ali do homo nebertalensis. É um campo lindo de conhecimento”, diz.

A autora uniu também outras referências, entre estudos científicos e até mesmo ficção, para chegar a sua escrita. Na conversa, ela mencionou também como inspiração o livro Instinto de Inez, de Carlos Fuentes, que retratava um encontro entre um maestro e uma cantora de ópera e entre dois homens primitivos. “Mas, no fundo, eu acho que o que influenciou mais não foram leituras sobre a pré-história”, conta.

Para Tort, o exercício de imaginação foi fundamental para escrever o livro. “Não é um tratado científico sobre como viviam os neandertais, mas eu quis que fosse verossimilhante, que não houvesse absurdos. O que eu tentei foi imaginar uma das muitas ‘n’ possibilidades desse encontro entre neandertais e sapiens”, explica.

“Acho que a premissa fundamental do livro é que pensamento e linguagem são coisas diferentes e que talvez sentir seja uma forma de pensar também. Até porque passa pela mesma fisiologia quase do pensamento”, avalia a escritora.

Sobre a expectativa do leitor à respeito da obra, Tort afirma ter escrito com liberdade e desejar que quem acesse o conteúdo tenha também a liberdade de pensar o que quiser sobre o que está sendo proposto.

“Eu escrevo num processo de pouca racionalização em cima da história. Tem pessoas que dizem sofrer muito enquanto escrevem. Dizem que são horas, assim, muito excruciantes. Para mim é o contrário. É claro que é difícil às vezes, mas eu gosto de passar muito tempo no universo com eles e para mim é como se eles existissem. Tanto que quando eu leio, às vezes, assim, descrições de pessoas que relatam psicografias, eu falo, mas esse é o processo natural da escrita, eu acho. Você não domina muito”, afirma.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo

Editado por: Thaís Ferraz

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