APÓS ESPANHA PEDIR QUE UNIÃO EUROPEIA ROMPA COM ISRAEL POR CRIMES DE GUERRA, BLOCO DEBATE TEMA NA TERÇA, AMANHÃ
afinsophia 20/04/2026 0
TEM QUE SER UNÂNIME
Decisão depende de acordo unânime entre todos os membros; Alemanha e Itália devem se opor
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO
Os países da UE vão debater seu acordo de associação com Israel a pedido de vários deles, entre os quais a Espanha, informou, nesta segunda-feira (20), a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, que expressou cautela sobre o resultado dessas conversas.
O presidente do governo da Espanha, o socialista Pedro Sánchez, anunciou no domingo que pediria à UE que “rompesse” seu acordo de associação com Israel, por considerar que o governo israelense de Benjamin Netanyahu “viola o direito internacional” com suas campanhas militares.
“A Espanha levará à Europa a proposta de que a União Europeia rompa seu acordo de associação com Israel”, porque um governo “que viola o direito internacional (…) não pode ser parceiro da União Europeia”, disse em um comício.
Poucas chances
A suspensão total do acordo de associação exige uma “posição unificada” entre os países, disse Kallas, embora isso não esteja explicitamente previsto nos tratados da UE.
No momento, “não há consenso amplo entre os Estados-membros” para suspender o acordo, disse um diplomata à Euronews. Países como a Alemanha e a Itália, que se opuseram à iniciativa no passado, não mudaram sua posição.
“A Itália adotará uma abordagem séria e equilibrada [sobre o assunto], tendo em mente que não deve haver consequências negativas para a população civil israelense”, diz o governo liderado por Giorgia Meloni.
O acordo de associação exige a unanimidade dos 27 membros da UE. A Comissão Europeia também propôs uma suspensão parcial, deixando em suspenso o capítulo comercial do acordo, decisão que pode ser adotada por maioria qualificada dos países da UE.
Questionada sobre esse ponto, Kallas indicou que é preciso “avaliar se é possível avançar” nas medidas comerciais, “se os Estados-membros desejarem fazê-lo”, e que o assunto será debatido na terça-feira.
A suspensão do acordo comercial já foi proposta no bloco, mas sem que se chegasse a um acordo por falta de maioria, devido às reticências de vários Estados-membros, entre eles a Alemanha.
No entanto, a deterioração da situação na Cisjordânia e a ofensiva lançada por Israel no Líbano levaram vários países a voltar a colocar o tema sobre a mesa. Os chefes da diplomacia dos 27 membros também voltarão a debater as sanções contra os colonos extremistas na Cisjordânia, bloqueadas há meses pelo veto da Hungria.
“Acho que a violência dos colonos e as atividades dos colonos não têm precedentes. Nunca vimos nada parecido antes”, afirmou, por sua vez, o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohamed Mustafa, ao lado de Kallas.
Vários países da UE esperam que a situação seja destravada após a derrota eleitoral, em 12 de abril, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán. A Irlanda e a Eslovênia já haviam se juntado à Espanha no pedido para discutir o acordo, considerando que Israel “está violando suas obrigações em matéria de direitos humanos” devido às contínuas violações do acordo de cessar-fogo, à escalada da violência na Cisjordânia, aos ataques contra a população civil no Líbano e à aprovação da pena de morte pelo Parlamento israelense.