DAS RACHADINHAS À DOAÇÃO DE CAMPANHA DO MASTER: RELEMBRE ESCÂNDALOS LIGADOS A FLÁVIO BOLSONARO QUE QUER SER PRESIDENTE
afinsophia 14/04/2026 0
Pré-candidato à presidência ficou marcado por denúncia de esquema ilícito na Alerj e amizade com miliciano
- RIO DE JANEIRO (RJ)
- CLIVIA MESQUITA
O pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) acumula histórico de polêmicas desde o início da sua trajetória na política fluminense. No escândalo mais recente envolvendo a família, veio à tona que Fabiano Campos Zettel desembolsou R$ 3 milhões para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O operador e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, foi o principal doador de Bolsonaro em 2022.
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O caso da rachadinha revelou a arrecadação de salários dos funcionários do seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que perdurou até 2018, quando se lançou para o Senado na esteira da campanha do pai.
Relembre escândalos envolvendo o senador:
Homenagem a milicianos
Como deputado estadual, Flávio rendeu homenagens aos milicianos Adriano da Nóbrega, apontado mais tarde como chefe do Escritório do Crime, e Erlan de Araújo, conhecido como Orelha. A origem dessa relação consta no livro Decaído, a história do capitão do Bope Adriano da Nóbrega e suas ligações com a máfia do jogo, a milícia e o clã Bolsonaro (Matrix), do jornalista investigativo Sérgio Ramalho.
Ao ex-caveira investigado por cometer assassinatos, Flávio Bolsonaro concedeu moção de aplausos, Medalha Tiradentes e foi além. “No submundo, dizem que Flávio fez um ‘seguro de cu’ com Adriano da Nóbrega, que teve a mulher e a mãe nomeadas no gabinete do deputado na Alerj”, diz o autor.
No livro, o jornalista remonta a trajetória do temido matador de aluguel e sua teia de relações que envolveram o submundo do jogo do bicho até a família Bolsonaro.
“A surpresa maior foi descobrir que a relação de Flávio Bolsonaro com Adriano da Nóbrega escalou mesmo com todas as suspeitas em torno do envolvimento do ex-caveira com o crime organizado. O clã Bolsonaro só procurou se afastar de Adriano da Nóbrega após alcançar o topo da República, com a eleição de Jair à presidência e Flávio para o Senado”, observa Ramalho.
O Brasil de Fato tentou contato com a assessoria de imprensa do senador para um posicionamento. A matéria poderá ser atualizada caso tenha resposta.
Rachadinha
O caso da rachadinha foi o mais emblemático na passagem de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo o Ministério Público do Rio, o parlamentar comandou um esquema de apropriação de salários de servidores, conhecido como “rachadinha”, em seu gabinete.
A arrecadação dos valores era feita por Fabrício Queiroz, amigo de longa data da família Bolsonaro e então assessor de Flávio. A partir da quebra de sigilo bancário e fiscal, o MP descobriu que Queiroz recebeu mais de R$ 2 milhões de servidores do gabinete, entre 2007 e 2018.
A investigação da rachadinha levou à renúncia do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, que relatou interferência política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal para obter informações sigilosas.
Loja de chocolate
Flávio foi sócio de uma loja de chocolates na Barra da Tijuca, apontada pelo MP como estrutura para lavagem de dinheiro da rachadinha. O MP-RJ considerou os valores movimentados pela empresa desproporcionais ao faturamento.
Depósitos realizados na boca do caixa despertaram a suspeita de ocultação da origem da quantia em espécie. Além disso, as transações coincidiram com o período em que Queiroz desviava parte dos salários do gabinete.
Segundo os investigadores, o negócio tinha a “finalidade de acobertar a inserção de recursos decorrentes do esquema de rachadinhas da Alerj no patrimônio de Flávio Bolsonaro sem levantar suspeitas.”
Evolução patrimonial
Outra forma de lavagem seria a compra de imóveis com dinheiro em espécie. A investigação sobre o gabinete de Flávio atingiu 37 imóveis supostamente ligados ao senador, entre apartamentos e salas comerciais na Zona Sul e Oeste do Rio.
As vendas declaradas entre 2010 e 2017 representariam uma lucratividade de R$ 3 milhões, segundo o MP. Na época, Flávio negou irregularidades, afirmando que a compra e venda era um “negócio arriscado, mas bem-sucedido”.
No intervalo de 12 anos como deputado na Alerj, o patrimônio de Flávio registrou um crescimento exponencial de 397%. Em 2002, quando foi eleito pela primeira vez, ele declarou apenas um carro no valor de R$ 25.500. Atualmente, o primogênito de Jair Bolsonaro é dono de R$ 1,74 milhão em bens declarados na Justiça Eleitoral.
Mansão em Brasília
Em 2024, o senador quitou o financiamento da mansão de R$ 6 milhões em Brasília. O valor é mais que o triplo do total de bens declarados à Justiça Eleitoral.
Ao comprar a casa, em 2021, Flávio deu uma entrada de R$ 2,87 milhões e financiou o restante do pagamento junto ao Banco de Brasília (BRB). O imóvel de 2,4 mil m² fica localizado em uma área batizada de “Setor de Mansões”, da capital federal.
Rejeição
No Senado há mais de sete anos, Flávio teve apenas um projeto de lei aprovado no Congresso. As muitas polêmicas e o pouco resultado legislativo também se traduzem em rejeição por parte do eleitorado.
O instituto Meio/Ideia perguntou em qual candidato o eleitor não votaria de jeito nenhum para presidente do Brasil, com possibilidade de múltiplas escolhas.
Enquanto 44,2% rejeitam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é rejeitado por 37,5%. A pesquisa ouviu 1.500 pessoas, entre os dias 3 e 7 de abril, por meio de entrevistas por telefone.