EDIR MACEDO, DONO DA IGREJA UNIVERSAL, GASTOU R$ 866 MILHÕES PARA VIABILIZAR VENDA DO DIGIMAIS AO BTG

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O montante reúne R$ 125 milhões injetados na instituição para cumprir exigências do BC e outros R$ 741,3 milhões aplicados na compra de cotas de um fundo de investimento

Crédito: Reprodução.

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e controlador da TV Record, desembolsou ao todo R$ 866 milhões para destravar a venda do banco Digimais. O montante reúne R$ 125 milhões injetados diretamente na instituição para cumprir exigências de capital mínimo do Banco Central e outros R$ 741,3 milhões aplicados na compra de cotas de um fundo de investimento chamado Hermon, operação realizada por meio da B.A. Empreendimentos e Participações, empresa de Macedo que controla o grupo Record e o próprio Digimais.

Com a movimentação, o banco conseguiu levantar R$ 126 milhões para compor parte de um aporte de R$ 250 milhões exigido pelo BC.

Auditoria

A empresa de auditoria contratada para analisar o balanço do Digimais concluiu que a compra das cotas do fundo Hermon pode “não refletir condições usuais de mercado”, já que não prevê remuneração compatível com sua natureza econômica, em outras palavras, o valor pago foi considerado elevado demais para um fundo desse tipo.

O relatório, assinado na semana passada, aponta ainda que a operação está condicionada ao efetivo recebimento dos valores pelo comprador e que, até aquele momento, não havia evidências suficientes para confirmar a adequação contábil da transação.

O problema não se limita ao fundo Hermon. Segundo os auditores, a situação se repete nos demais fundos do banco, que carecem de demonstrações financeiras atualizadas ou auditorias capazes de atestar a qualidade dos créditos que os lastreiam.

Em dezembro de 2025, o Digimais declarava ter R$ 4,2 bilhões aplicados em fundos de investimento, distribuídos entre fundos de direito creditório (FDICs), fundos imobiliários (FIIs) e fundos de participação (FIPs). Os auditores identificaram “limitações” em ao menos R$ 3 bilhões desse total.

No caso dos FDICs, quase metade da carteira, R$ 817,9 milhões, nunca passou por auditoria independente, o que impede saber se o banco precisaria provisionar recursos para cobrir eventuais perdas.

Outro ponto de atenção são os FIPs: cotas adquiridas por R$ 357 milhões no segundo semestre de 2025 foram marcadas a mercado por R$ 639 milhões no mesmo período, uma valorização de R$ 997,5 milhões em ativos que os auditores afirmam não ter sido possível avaliar com razoabilidade.

A venda ao BTG

Com um passivo de R$ 9,5 bilhões, o Digimais assinou um acordo de compra e venda com o BTG Pactual. A operação, porém, está condicionada à aprovação de uma linha de crédito de R$ 6 bilhões pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e à emissão de uma letra financeira estimada em cerca de R$ 2,5 bilhões.

Esse papel deverá ser oferecido ao mercado em leilão, uma exigência da nova regulação do setor, mas o BTG terá direito de preferência e poderá cobrir qualquer proposta mais vantajosa que surgir.

Se o financiamento do FGC não se concretizar, Macedo terá de cobrir o rombo do banco com recursos próprios para evitar uma possível liquidação pelo Banco Central.

*Com informações do UOL.

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