FLOTILHA COM 30 TONELADAS DE ALIMENTOS E 73 PAINÉIS SOLARES CHEGARAM EM CUBA
afinsophia 24/03/2026 0
SOLIDARIEDADE
Primeiro barco vindo do México chegou a Havana nesta terça (24), em meio ao agravamento do bloqueio dos EUA
- SÃO PAULO (SP)
- RODRIGO CHAGAS
O primeiro barco da flotilha Nuestra América atracou em Havana nesta terça-feira (24) levando ajuda humanitária a Cuba em meio ao agravamento da crise energética na ilha. A embarcação de pesca Maguro, rebatizada simbolicamente de Granma 2.0, completou a travessia iniciada no porto de Progreso, em Yucatán, no México, após cinco dias de viagem pelo Caribe.
A bordo estavam 32 pessoas de 11 países, reunidas em uma missão internacional de solidariedade que percorreu 370 milhas náuticas — quase 700 km — sob condições meteorológicas adversas. Segundo os relatos sobre a travessia, o barco enfrentou ventos fortes, correntes marítimas e problemas elétricos, o que provocou atraso na chegada a Havana.
O carregamento reúne 30 toneladas de alimentos, medicamentos e produtos de higiene, além de 73 painéis solares destinados a aliviar os efeitos da crise de energia que atinge o país caribenho. Ao se aproximarem do porto, os ativistas exibiram no convés uma faixa com dizeres em defesa de Cuba, enquanto cidadãos cubanos os recebiam no cais com gritos contra o bloqueio.
Coordenador da missão, Thiago Ávila afirmou que a chegada a Havana representa uma mensagem de esperança ao povo cubano e também ao palestino. Já David Adler, da Progressive International, disse à AFP que a iniciativa buscou enviar ajuda urgente diretamente à população e mostrar ao mundo “o custo humano do cerco de Trump contra Cuba”, além de evidenciar que “a solidariedade internacional pode triunfar sobre o isolamento imposto”.

Crise energética amplia mobilização internacional
A chegada da flotilha ocorre em um momento de deterioração das condições de abastecimento em Cuba. Desde 2024, o país sofreu sete apagões em escala nacional, dois deles na última semana, em um cenário marcado pela obsolescência das usinas termoelétricas, escassez de petróleo e pelo endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Os organizadores da missão sustentam que o bloqueio ao combustível, agravado neste ano, aprofundou a crise na ilha e ampliou os impactos sobre a vida cotidiana da população. É nesse contexto que alimentos, remédios e equipamentos de energia solar passaram ao centro das ações de solidariedade articuladas por movimentos e organizações de diferentes países.
Também nesta terça-feira, o chanceler russo, Serguei Lavrov, declarou que Moscou seguirá oferecendo apoio “material e humanitário” a Cuba diante do aumento da pressão externa. Nos últimos dias, relatos sobre carregamentos de combustível russo e mudanças de rota de petroleiros reforçaram o clima de tensão em torno do abastecimento energético da ilha.
Na América Latina, a rede de apoio também ganhou força nas últimas semanas. Uma caravana com parlamentares, sindicalistas e representantes estudantis brasileiros integrou a articulação internacional de solidariedade, com previsão de envio de mais de 20 toneladas de produtos, entre alimentos, medicamentos, itens de higiene e equipamentos voltados a serviços essenciais. No início de março, o governo brasileiro anunciou o envio de alimentos e insumos destinados à produção agrícola em Cuba.
O México, por sua vez, confirmou um quarto envio de ajuda humanitária à ilha. Na segunda-feira (23), a presidenta Claudia Sheinbaum afirmou que um novo navio partirá do país rumo a Cuba e disse que seu governo manterá o apoio contínuo, além de buscar formas de incentivar o diálogo entre Havana e Washington. Segundo ela, a Marinha mexicana acompanha as brigadas internacionais que seguem em embarcações menores, como medida de segurança durante a travessia.
Sheinbaum declarou ainda que seu governo procura alternativas para retomar o envio de combustível a Cuba sem expor o México às retaliações anunciadas pelos Estados Unidos. Segundo a presidenta, uma das possibilidades em análise é que o combustível seja enviado como ajuda humanitária ou por meio de acordos comerciais que não afetem o país