IRÃ AFIRMOU QUE GUERRA SÓ TERMINARÁ COM GARANTIA DE QUE CONFLITO NÃO SERÁ RETOMADO
afinsophia 15/03/2026 0
SOBERANIA SOB ATAQUE
Conflito começou em 28 de fevereiro com ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irã
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
Neste domingo (15), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a guerra que opõe seu país aos Estados Unidos e a Israel só terminará quando Teerã tiver garantias de que o conflito não será retomado.
Em entrevista à NBC News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que o Irã estaria disposto a negociar, mas declarou que Washington pretende impor condições mais favoráveis em eventual acordo. Trump também disse que os EUA poderiam voltar a bombardear alvos no centro petrolífero iraniano, na ilha de Kharg, “apenas por diversão”.
“O Irã quer fechar um acordo, e eu não quero fechá-lo porque os termos ainda não são bons o suficiente”, afirmou o presidente.
Direito legítimo de defesa
Araghchi também disse à Al-Araby Al-Jadeed ter evidências de que mísseis teriam sido lançados a partir dos Emirados Árabes Unidos contra a ilha de Kharg, importante centro petrolífero iraniano. “Temos ampla evidência disso: imagens de satélite e vigilância eletrônica demonstram que bases americanas nesta região estão sendo usadas para ataques.”
“Declaramos aos líderes dos Emirados que a República Islâmica do Irã considera seu direito legítimo, em defesa de sua soberania e território nacionais, atacar a origem dos lançamentos de mísseis inimigos americanos contra os portos, docas e esconderijos de militares americanos em algumas cidades dos Emirados.”
Alerta ao Ocidente
Araghchi também alertou países ocidentais para que se abstenham de ampliar o envolvimento na guerra.
Em uma ligação com seu homólogo francês, Jean-Noël Barrot, o chanceler iraniano pediu que a França “se abstenha de qualquer ação que possa levar à escalada e à expansão do conflito”.
A declaração ocorre após Trump defender que potências mundiais escoltem petroleiros no Estreito de Ormuz, ponto estratégico no Golfo Pérsico. Segundo o presidente estadounidense, países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido deveriam enviar embarcações para proteger navios petroleiros que transitam pela região, enquanto as forças armadas dos Estados Unidos continuarão a bombardear locais de lançamento de drones, barcos e mísseis em território iraniano na costa norte do estreito.
Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, uma passagem marítima localizada entre o Irã e Omã. A recente escalada militar e os ataques contra alvos ligados às indústrias de energia e transporte marítimo na região provocaram forte alta nos preços internacionais do petróleo.
Estratégia militar
Para o historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Murilo Meihy, o uso do petróleo como instrumento de pressão estratégica não é uma novidade em conflitos internacionais.
“O que estamos vendo é o desenvolvimento de uma guerra de desgaste, que utiliza ataques à economia global como forma de pressionar o grupo militar mais forte — Estados Unidos e Israel — a recuar em seu projeto de destruição do Irã”, afirmou o pesquisador ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começou no dia 28 de fevereiro. O conflito teve início com ataques aéreos coordenados por forças dos EUA e Israel contra alvos militares e infraestruturas estratégicas no Irã.
*Com informações da AFP