O advogado de extrema-direita José Antonio Kast assumiu nesta quarta-feira (11) a Presidência do Chile, tornando-se o governante conservador mais radical do país desde o regime do ditador Augusto Pinochet.
Para Viscardi, é preciso olhar para o que essa “adjetivação de conveniência” tenta suavizar. O novo presidente chileno carrega um histórico que o termo oculta: seu pai foi membro do Partido Nazista e sua família mantém laços profundos com a herança da ditadura de Augusto Pinochet.
A análise aponta que, sob o rótulo do pragmatismo, abrigam-se faces cruas do autoritarismo:
- Na segurança: É “pragmático” propor indulto a policiais responsáveis pelo assassinato de 30 pessoas na repressão aos protestos de 2019?
- Na imigração: É “pragmático” atacar haitianos e venezuelanos e projetar “barreiras físicas” contra imigrantes?
- No Estado: É “pragmático” priorizar a crença religiosa sobre a função pública, como dito no discurso de posse?
A pedagogia da normalização
Como bem observa a linguista, essa escolha lexical não é acidental. Ao rotular figuras de extrema-direita como “pragmáticas”, a grande imprensa brasileira opera um processo de normalização. Transforma-se o extremismo em uma opção de gestão “moderada”, tentando tornar palatável um projeto que flerta abertamente com o autoritarismo e que mantém sintonia com nomes da extrema-direita brasileira, como Sóstenes Cavalcante (PL).
Enquanto o jornalismo se esquiva de dar o nome correto aos fatos, a democracia segue sob o cerco de palavras que atenuam a violência. Como conclui a escritora: “Não deixo de me impressionar com a postura dos grandes jornais brasileiros. Desejo sorte a todas nós”.