IRÃ ANUNCIOU QUE NÃO PARTICIPARÁ DA COPA DO MUNDO: “REGIME CORRUPTO QUE ASSASSINOU NOSSO LÍDER”
afinsophia 11/03/2026 0
GUERRA
Decisão foi tomada por causa dos ataques de EUA e Israel que mataram o aiatolá Ali Khamenei
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
O Irã não participará da Copa do Mundo de futebol masculino, a ser disputada em Estados Unidos, México e Canadá entre junho e julho deste ano. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11) pelo ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donjamali.
A seleção iraniana se classificou para o Mundial pelas eliminatórias asiáticas e foi sorteado para o mesmo grupo com Egito, Bélgica e Nova Zelândia para a primeira fase do torneio.
Hipocrisia
Apesar de atacar o Irã, Donald Trump, presidente de um dos países sede do torneio, disse no começo de março que “não se importava” que a seleção iraniana participasse da Copa.
O presidente da Fifa, a entida maior do futebol internacional, Gianni Infantino, disse por meio das redes sociais que Trump o reiteirou que o Irã seria “bem-vindo” no campeonato.
“Me encontrei com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o andamento dos preparativos para a próxima Copa do Mundo da Fifa e a crescente expectativa, já que faltam apenas 93 dias para o início do torneio”, disse Infantino.
A postura da Fifa contrasta com a adotada pela própria entidade, que suspendeu a Rússia por tempo indefinido após o início da guerra da Ucrânia em 2022. Como resultado, a equipe não participu da Copa de 2022, a Euro 2024 e as eliminatórias para a Copa deste ano.
Agressões contra o Irã
Os ataques conjuntos, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no dia 28 de fevereiro, ocorreram em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Apesar da disposição anunciada pelo país persa em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.
Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.
A derrubada do governo em Teerã é objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista. Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.
Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo. Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional. Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis.