SICÁRIO: FELIPE MOURÃO, CHEFE DO “ESCRITÓRIO DO CRIME” DA FACÇÃO CRIMINOSA DE DANIEL VORCARO, TENTOU SE SUICIDAR NA CARCERAGEM DA PF
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Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão é citado como personagem central de um grupo informal denominado “A Turma”, descrito no documento como uma estrutura de vigilância e coerção privada de Daniel Vorcaro.
Decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), identifica Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também tratado como “Felipe Mourão” e chamado de “Sicário”, como personagem central de um grupo informal denominado “A Turma”, descrito no documento como uma estrutura de vigilância e coerção privada vinculada às investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Bueno Vorcaro.
O caso traz de volta uma comparação que marcou a política fluminense na esteira das investigações sobre “rachadinha” atribuída ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro: na época, veio à tona que o gabinete do parlamentar empregou a mãe e a esposa de Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio como ligado ao “Escritório do Crime”, grupo associado a assassinatos por encomenda.
Quem é o “Sicário” citado na decisão
No texto que levantou o sigilo do caso, Mendonça registra que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão aparece nas comunicações analisadas como “Felipe Mourão”, “atendendo pelo apelido de ‘Sicário’”, e é descrito como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.
O documento também afirma que os elementos reunidos indicam que ele exercia papel central na coordenação operacional do grupo informal “A Turma”, usado para vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários, incluindo pessoas relacionadas a investigações ou críticas ao grupo econômico ligado ao Banco Master.
“A Turma”: vigilância, dados e intimidação
A decisão afirma que as investigações apontam um “núcleo de intimidação e obstrução de justiça” e que o grupo mantinha uma estrutura chamada “A Turma”, descrita como voltada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos.
Entre os trechos reproduzidos, o documento registra indícios de pagamentos mensais e cita diálogos em que “Felipe Mourão” menciona que “a turma” estaria cobrando o repasse do mês, além de detalhar a divisão de valores entre integrantes.
A decisão ainda relata que, “a partir dessa metodologia”, haveria acesso indevido a sistemas restritos por meio de credenciais de terceiros, com referência a bases da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como FBI e Interpol, segundo o documento.
O paralelo com o “Escritório do Crime” que apareceu no caso das “rachadinhas”
A expressão “Escritório do Crime” entrou no vocabulário político nacional ao designar, no Rio de Janeiro, um grupo associado a execuções e investigado em casos de grande repercussão. O gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio empregou Raimunda Veras Magalhães (mãe de Adriano) e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega (então esposa), em episódio que se tornou referência quando se discutiu a interseção entre política e estruturas de coerção privadas.
Adriano da Nóbrega foi descrito, à época, como personagem ligado a milícias e acusado pelo Ministério Público do Rio de comandar um grupo de assassinos por encomenda chamado “Escritório do Crime”, conforme relatos jornalísticos de referência.
No caso Master, a decisão do STF não usa “Escritório do Crime” como nome do grupo, mas descreve “A Turma” como um braço de vigilância, coerção e intimidação, e aponta “Sicário” como figura operacional relevante no arranjo descrito no documento.
O que significa “sicário”
“Sicário” é um termo usado para designar assassino de aluguel, com origem no latim sicarius.