LÍDERES MUNDIAIS REJEITARAM ATAQUE DE EUA/ISRAEL AO IRÃ E O BRASIL TAMBÉM CONDENOU O ATAQUE E PEDIU PROTEÇÃO AOS CIVIS
afinsophia 28/02/2026 0
GUERRA
O governo brasileiro condenou os ataques e expressou “grave preocupação” com os ataques
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
Autoridades de todo o mundo reagiram ao ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no início deste sábado (28), a despeito das negociações diplomáticas em andamento entre Washington e Teerã. Do outro lado, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã respondeu com ataques generalizados com mísseis contra áreas sob ocupação israelense.
O governo brasileiro condenou os ataques e expressou “grave preocupação” com os ataques. “Um processo de negociação entre as partes”, diz o comunicado, “é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.
“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz outro trecho.
O Itamaraty informou que as embaixadas brasileiras na região acompanham a situação, com atenção especial às comunidades brasileiras, e recomendou que cidadãos sigam as orientações de segurança das autoridades locais. O embaixador em Teerã também mantém contato direto com brasileiros no país para fornecer atualizações e orientações.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China expressou preocupação com os ataques e afirmou que “a soberania nacional, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas”. “A China exige a cessação imediata das ações militares, a prevenção de uma maior escalada das tensões, a retomada do diálogo e das negociações e a manutenção da paz e da estabilidade no Oriente Médio”, diz outro trecho.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o ataque viola “a soberania e a integridade territorial do Irã” e constitui “uma flagrante violação do direito internacional e da Carta da ONU”. “Eles minam, pela segunda vez, os esforços diplomáticos relativos à questão nuclear e põem em risco a paz e a segurança regional e internacional. Os efeitos já sentidos nesta região instável demonstram isso claramente”, afirmou o presidente cubano em seu perfil no X.
Díaz-Canel também afirmou que a comunidade internacional precisa agir de forma imediata para evitar o avanço do conflito diante das consequências imprevisíveis.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi, afirmou estar “consternado” com os ataques e disse que as negociações foram prejudicadas. Segundo o ministro, nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz são atendidos com o conflito. Al Busaidi afirmou que os EUA não devem se envolver ainda mais e declarou que “esta não é a sua guerra”.
Os Emirados Árabes Unidos condenaram ataques com mísseis iranianos que mataram um cidadão paquistanês após destroços atingirem o território. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que qualquer ataque contra países do Golfo representa ameaça à segurança regional e pediu moderação e solução diplomática. Já o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, condenou os ataques “injustificados” e pediu a interrupção da escalada por meio da retomada da diplomacia.
O Kuwait afirmou que os ataques conduzidos pelo Irã representam violação “flagrante” de seu espaço aéreo e declarou que se reserva ao direito de responder de forma “proporcional”. O governo também alertou que novas ações militares podem afetar a estabilidade regional.
O Catar declarou que se reserva o direito de responder após ataques com mísseis balísticos e classificou a ação como violação “flagrante” de sua soberania e ameaça à segurança regional.
O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que o início de um conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã têm consequências para a paz e a segurança internacionais. Macron afirmou ainda que medidas estão sendo adotadas para proteger cidadãos franceses e que o país está pronto para apoiar parceiros que solicitem ajuda.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, rejeitou o que chamou de ação militar “unilateral” e afirmou que a ofensiva contribui para uma ordem internacional mais instável. Sánchez também declarou que rejeita ações do governo iraniano e da Guarda Revolucionária e pediu “desescalada imediata” e respeito ao direito internacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmaram que os acontecimentos são “extremamente preocupantes”. Em declaração conjunta, pediram que todas as partes exerçam “máxima contenção”, protejam civis e respeitem o direito internacional.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou que a escalada é resultado das ações do governo iraniano e declarou apoio ao povo iraniano. O governo ucraniano também pediu mudanças políticas no país e afirmou que os acontecimentos estão ligados ao que chamou de violência e repressão contra manifestantes.
O que dizem os envolvidos?
Em pronunciamento em vídeo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu que a operação militar conjunta com Israel pode causar baixas entre soldados norte-americanos, afirmando que “isso frequentemente acontece em guerra”.
O republicano também declarou que os objetivos incluem destruir a indústria de mísseis do Irã, neutralizar sua marinha e desarticular forças aliadas na região. Segundo Trump, ataques anteriores, chamados de “Operação Midnight Hammer”, já teriam atingido instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os bombardeios visam eliminar o que classificou como uma “ameaça existencial”, e disse que a operação pode criar condições para que o povo iraniano “assuma seu destino”.
Em resposta, o Ministério do Interior iraniano condenou os ataques como uma violação das leis internacionais e ativou o sistema nacional de gestão de crises, orientando autoridades locais a mobilizar recursos e a população a seguir apenas informações oficiais.
A ofensiva ocorre em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano e sem autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando as tensões e o risco de escalada militar na região.