“METEU O ATESTADO”: REBECA RAMAGEM, MULHER DO GOLPISTA FUGITIVO, RAMAGEM, TIROU LICENÇA MÉDICA DO TRABALHO PARA ACOMPANHAR MARIDO EM FUGA NOS EUA

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Rebeca Teixeira Ramagem é procuradora do estado de Roraima e já estava nos EUA com o marido foragido quando apresentou o pedido de licença

Por: Ivan Longo: 10/01/2026 –
Rebeca Ramagem e seu marido Alexandre Ramagem – Reprodução/Instagram

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Aprocuradora do estado de Roraima Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), apresentou um atestado médico e obteve licença de 60 dias do cargo enquanto já se encontrava nos Estados Unidos acompanhando o marido, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e considerado foragido da Justiça. O afastamento teve início em 22 de dezembro de 2025, logo após o fim de um período prolongado de férias fora do país.

Rebeca estava oficialmente de férias desde novembro, quando deixou o Brasil e passou a permanecer nos EUA ao lado de Ramagem. Após sucessivos pedidos de prorrogação, o período terminou em 19 de dezembro. Três dias depois, já no exterior, ela apresentou o atestado médico à Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR). Segundo o governo estadual, a licença médica vale até 19 de fevereiro de 2026.

“A procuradora do Estado Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues solicitou licença médica, conforme atestado médico apresentado, pelo período de 60 dias, a partir do dia 22 de dezembro de 2025”, informou o governo de Roraima em nota.

Alexandre Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, no âmbito das investigações sobre a trama golpista de 2022. Os ministros da Primeira Turma concluíram que ele utilizou a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que dirigiu no governo Jair Bolsonaro, para vigiar adversários políticos e auxiliar os ataques ao sistema eleitoral. A decisão determinou a entrega do passaporte e proibiu sua saída do país, ordem que foi ignorada.

Segundo a Polícia Federal (PF), Ramagem deixou o Brasil por Roraima, atravessou a fronteira terrestre com a Guiana e seguiu até Georgetown, de onde embarcou para os Estados Unidos. Em dezembro, ele teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara.

Esposa acompanha

Pouco depois da fuga, em 23 de novembro de 2025, Rebeca publicou nas redes sociais que havia deixado o país uma semana antes com o “único propósito de proteger a família”. A publicação incluía um vídeo das filhas reencontrando o pai em Miami. No mesmo material, ela afirmou que a família seria vítima de “lawfare”, tese recorrente entre aliados do bolsonarismo para atacar decisões judiciais.

Em dezembro, além da licença médica, Rebeca passou a contestar decisões do STF que determinaram o bloqueio de suas contas bancárias. Em mandado de segurança distribuído ao ministro André Mendonça, a defesa alegou que a medida a impediu de receber salário, criando uma situação de “insegurança alimentar” para ela e as duas filhas, de 14 e 7 anos. “Não houve qualquer notificação acerca do bloqueio, e a impetrante nunca foi intimada, citada ou notificada de qualquer processo, cível ou criminal, que corra perante o STF em seu desfavor”, afirma a ação.

Também nas redes sociais, Rebeca divulgou um vídeo no qual diz ter acionado seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Roraima, no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. “Ontem protocolei três requerimentos formais junto às três seccionais da OAB as quais pertenço clamando por apoio institucional em virtude da situação arbitrária de bloqueio das minhas contas e do meu salário funcional”, afirmou. “Quando um advogado é impedido de exercer a sua profissão e tem seus meios de sobrevivência suprimidos toda a advocacia é atingida.”

Após a revelação da licença médica, a procuradora voltou a se manifestar publicamente, afirmando que o afastamento decorre de “impactos reais, concretos, emocionais e psicológicos” vividos pela família. Segundo ela, não se trataria de uma escolha pessoal, mas de uma “necessidade clínica”. “Qualquer mãe de verdade, que esteja acompanhando a luta das filhas para restabelecer uma normalidade depois de serem alvos de um ato desumano e cruel, é profundamente impactada”, declarou. “Nesse momento, seria irresponsável exercer minhas atividades com eficiência, como se nada estivesse acontecendo. A prudência exige pausa.”

Rebeca também afirmou que a situação teria gerado um ambiente de “tortura psicológica” e voltou a criticar o bloqueio de recursos. “Estamos falando de verba alimentar. Verba que garante a subsistência não apenas minha, mas das minhas filhas”, disse.

Procuradora de carreira desde 2015, Rebeca está lotada desde 2020 na Coordenadoria da PGE-RR em Brasília, onde atua em ações nos tribunais superiores.

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