LUIS NASSIF: FALTA ALGUÉM NO JULGAMENTO DO MASTER

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Em outubro de 2025, antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Master “pontual e não sistêmico”

É sabido que o Banco Master tinha estreitas ligações com grandes lideranças do Centrão, como Arthur Lira, Antonio Rueda e Ciro Nogueira.

É importante entender o que significou a iniciativa inicial do Tribunal de Contas da União, através do respeitado procurador Lucas Furtado, e a malícia do ministro do Centrão, Jhonatan de Jesus.

A intenção de Furtado era analisar os procedimentos do Banco Central para entender a demora em atuar em relação ao Master. Jhonatan aproveitou a brecha para falar em reverter a liquidação.

Vamos retomar, então, as preocupações de Lucas Furtado: qual a razão da demora do BC em agir?

Segundo a Bloomberg, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito)  enviou cartas formais de advertência ao Banco Central. Executivos que financiam o FGC também teriam buscado o BC para alertar sobre o banco. Alguns desses alertas teriam chegado diretamente a Roberto Campos Neto. 

Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que Campos Neto teria prometido agir frente a esses alertas, mas sem implementar ações regulatórias mais incisivas ou mudanças supervisionais imediatas no ritmo que o banco se expandia. 

Essa percepção — de que o BC não agiu com a rapidez desejada dadas as preocupações levantadas — alimentou críticas no mercado e entre observadores: pela velocidade de crescimento do Master, que continuou a emitir títulos e expandir carteiras; pela falta de medidas prudenciais mais duras antecipadamente. 

Durante a própria gestão de Campos Neto ainda ocorreram alguns episódios importantes:

Em outubro de 2025, ainda antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Banco Master “pontual e não sistêmico”, sinalizando que a instituição não representava um risco amplo ao sistema financeiro — embora ressaltasse a necessidade de análise cuidadosa. 

Membros da Associação Brasileira de Bancos reconheceram que o sucessor de Campos Neto, Gabriel Galípolo, tem agido com base em evidências técnicas mais claras, enquanto a anterior gestão foi considerada menos proativa diante de riscos emergentes. 

Uma cronologia do desastre anunciado mostra a inoperância do BC, sob Campos Neto:

2019

  • Assinatura do acordo de cooperação BC–FGC
  • Abre canal formal para troca de alertas
    Infraestrutura de aviso criada — mas pouco usada de forma decisiva

2020–2022

  • FGC envia cartas ao BC alertando:
    • crescimento acelerado do Master
    • ativos de difícil avaliação
  • Grandes bancos também alertam informalmente
    Nada muda na supervisão prática

BC ouve, arquiva e segue o jogo.

2023

  • Master acelera captação:
    • CDBs com taxas agressivas
    • expansão fora do padrão prudencial
  • Novos alertas chegam ao BC
    Nenhuma medida restritiva concreta

2024

  • Crise de liquidez começa a aparecer
  • FGC passa do alerta à ação: socorro financeiro
  • BC intensifica monitoramento tardiamente

Aqui já era incêndio, não fumaça.

Set/2025

  • BC barra venda ao BRB
  • Primeira ação regulatória dura
    Tardia: banco já em colapso

Out/2025

Campos Neto declara:

“Caso pontual, sem risco sistêmico”

Tradução histórica: subestimou o problema.

Custo da omissão: R$ 41 bilhões do FGC, e uma quantia ainda não calculada de correntistas e investidores.

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