É sabido que o Banco Master tinha estreitas ligações com grandes lideranças do Centrão, como Arthur Lira, Antonio Rueda e Ciro Nogueira.
É importante entender o que significou a iniciativa inicial do Tribunal de Contas da União, através do respeitado procurador Lucas Furtado, e a malícia do ministro do Centrão, Jhonatan de Jesus.
A intenção de Furtado era analisar os procedimentos do Banco Central para entender a demora em atuar em relação ao Master. Jhonatan aproveitou a brecha para falar em reverter a liquidação.
Vamos retomar, então, as preocupações de Lucas Furtado: qual a razão da demora do BC em agir?
Segundo a Bloomberg, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) enviou cartas formais de advertência ao Banco Central. Executivos que financiam o FGC também teriam buscado o BC para alertar sobre o banco. Alguns desses alertas teriam chegado diretamente a Roberto Campos Neto.
Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que Campos Neto teria prometido agir frente a esses alertas, mas sem implementar ações regulatórias mais incisivas ou mudanças supervisionais imediatas no ritmo que o banco se expandia.
Essa percepção — de que o BC não agiu com a rapidez desejada dadas as preocupações levantadas — alimentou críticas no mercado e entre observadores: pela velocidade de crescimento do Master, que continuou a emitir títulos e expandir carteiras; pela falta de medidas prudenciais mais duras antecipadamente.
Durante a própria gestão de Campos Neto ainda ocorreram alguns episódios importantes:
Em outubro de 2025, ainda antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Banco Master “pontual e não sistêmico”, sinalizando que a instituição não representava um risco amplo ao sistema financeiro — embora ressaltasse a necessidade de análise cuidadosa.
Membros da Associação Brasileira de Bancos reconheceram que o sucessor de Campos Neto, Gabriel Galípolo, tem agido com base em evidências técnicas mais claras, enquanto a anterior gestão foi considerada menos proativa diante de riscos emergentes.
Uma cronologia do desastre anunciado mostra a inoperância do BC, sob Campos Neto:
2019
- Assinatura do acordo de cooperação BC–FGC
- Abre canal formal para troca de alertas
Infraestrutura de aviso criada — mas pouco usada de forma decisiva
2020–2022
- FGC envia cartas ao BC alertando:
- crescimento acelerado do Master
- ativos de difícil avaliação
- Grandes bancos também alertam informalmente
Nada muda na supervisão prática
BC ouve, arquiva e segue o jogo.
2023
- Master acelera captação:
- CDBs com taxas agressivas
- expansão fora do padrão prudencial
- Novos alertas chegam ao BC
Nenhuma medida restritiva concreta
2024
- Crise de liquidez começa a aparecer
- FGC passa do alerta à ação: socorro financeiro
- BC intensifica monitoramento tardiamente
Aqui já era incêndio, não fumaça.
Set/2025
- BC barra venda ao BRB
- Primeira ação regulatória dura
Tardia: banco já em colapso
Out/2025
Campos Neto declara:
“Caso pontual, sem risco sistêmico”
Tradução histórica: subestimou o problema.
Custo da omissão: R$ 41 bilhões do FGC, e uma quantia ainda não calculada de correntistas e investidores.