Supporters of ousted Venezuela's President Nicolas Maduro wave national flags as they take part in a demonstration in Caracas on January 4, 2026, a day after he was captured in a US strike. Nicolas Maduro's congressman son called on January 4, 2026, for Venezuelans to take to the streets following his father's ouster by US forces and transfer to a New York jail. (Photo by Juan BARRETO / AFP)
ATAQUE ESTADUNIDENSE
Carmen Navas, do Instituto Tricontinental, destacou a ilegalidade da ação de Trump: ‘Uma nova expressão de lawfare’
Apoiadores presidente venezuelano sequestrado pelos EUA, Nicolás Maduro, agitam bandeiras nacionais durante uma manifestação em Caracas, em 4 de janeiro de 2026| Crédito: Juan Barreto / AFP
Para a pesquisadora venezuelana Carmen Navas, do Instituto Tricontinental, não há qualquer dúvida: o ataque de Donald Trump ao presidente Nicolás Maduro é, objetivamente, um sequestro, por mais que setores da mídia hegemônica alinhados ao governo dos Estados Unidos tentem descrever o episódio de outras formas.
Navas, que vive na capital venezuelana Caracas, participou da primeira edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quarta-feira (7). Ela afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo Trump após a ação militar do último dia 3 são vazias.
“Nós estamos, sim, diante de um ato de sequestro de um chefe de Estado, e o governo venezuelano está denunciando o sequestro de um presidente em suas funções. Estamos diante de uma ação totalmente ilegal, de uma nova expressão de lawfare, em dimensões nunca antes vistas”, apontou.
“Para nós, aqui na Venezuela, nenhuma dessas acusações seria válida para justificar o sequestro do presidente. Nós temos um país soberano e não temos nenhum convênio com os Estados Unidos de extradição de cidadãos venezuelanos que sejam ou não acusados de um delito dentro do país”, destacou.
A repercussão do caso atravessou as fronteiras do país. Mesmo com o ataque à soberania venezuelana, houve demonstrações de apoio de representantes de governos de países ideologicamente alinhados a Trump, como o de Javier Milei na Argentina. O que acende um alerta.
“Dentro do Sul Global, há governos aliados do imperialismo. Governos de costas para suas populações e tentando justificar ações injustificáveis. Estamos neste momento em uma disputa geopolítica importante da opinião pública”, afirmou Navas.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.