CHINA AFIRMOU QUE NEGOCIAÇÕES COM A VENEZUELA “SERÃO PROTEGIDAS” E CONDENOU “INTIMIDAÇÃO” DOS EUA
afinsophia 07/01/2026 0
PARCERIA ESTRATÉGICA
‘Qualquer tentativa de interferir na soberania venezuelana será considerada uma afronta aos interesses da China’
- PEQUIM (CHINA)
- BRUNO FALCI
A porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que os interesses legítimos da China na Venezuela devem ser plenamente protegidos, e que qualquer pressão externa que busque restringir ou alterar a soberania venezuelana sobre seus próprios recursos constitui uma violação flagrante do direito internacional. A declaração foi dada em resposta ao Brasil de Fato durante coletiva de imprensa em Pequim.
“A Venezuela é um Estado soberano e, segundo o direito internacional, detém plena e permanente soberania sobre seus recursos naturais e todas as atividades econômicas em seu território”.
Um suposto acordo proposto pelos Estados Unidos exigiria o desvio, para o país norte-americano, de cargas de petróleo que seriam destinadas a negociações com a China.
A China afirmou que condena fortemente as ações de intimidação e uso de força por parte de qualquer país que tente impor condições políticas ou econômicas sobre uma nação soberana, especialmente quando isso afeta a estabilidade e os projetos de desenvolvimento de um parceiro estratégico.
“O recente uso da força dos Estados Unidos contra a Venezuela, acompanhado da exigência de que Caracas priorize os interesses dos EUA na gestão de seus próprios recursos petrolíferos, constitui um flagrante ato de intimidação. Essa conduta configura uma séria violação do direito internacional, uma grave afronta à soberania venezuelana e um dano severo aos direitos do povo venezuelano.”
A porta‑voz enfatizou que a continuidade dos acordos firmados entre China e Venezuela será defendida e que Pequim está comprometida com o respeito à soberania venezuelana em seus aspectos energéticos e econômicos. “A cooperação entre China e Venezuela é cooperação entre Estados soberanos, protegida pelo direito internacional, bem como pelas leis domésticas de ambos os países”, disse.
“Qualquer tentativa de interferir na soberania venezuelana será considerada uma afronta direta aos interesses estratégicos da China. A China continuará defendendo a continuidade dos acordos energéticos e investimentos chineses em solo venezuelano”, reforçou a porta-voz.
Ela também comentou sobre as sanções e a pressão econômica dos Estados Unidos contra Venezuela.
“Os Estados Unidos há muito impõem sanções unilaterais ilegais à indústria petrolífera venezuelana e recentemente recorreram até ao uso da força. Essas ações têm perturbado gravemente a ordem econômica e social da Venezuela e ameaçado a estabilidade das cadeias globais de produção e fornecimento. A China condena veementemente essas ações.”
Relação energética
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, cerca de 303 bilhões de barris, e tem historicamente sido um fornecedor importante para o mercado chinês. Em 2025, as importações de petróleo venezuelano pela China alcançaram cerca de 470 mil barris por dia, o que representou aproximadamente 4,5% das importações marítimas totais de petróleo do país.
Embora em termos percentuais sobre o total de petróleo importado pela China esse número pareça pequeno, essa quantidade é bem maior do que o que a maioria dos países exporta para a China, fazendo da Venezuela um dos principais fornecedores fora do Oriente Médio e da Rússia.
Além disso, em muitos meses de 2025, a maior parte das exportações totais de petróleo da Venezuela foi enviada à China, chegando a absorver entre 55% e mais de 80% do total exportado por Caracas, reforçando que a relação não é apenas quantitativa, mas estratégica e central para ambos os países.
A presença chinesa em solo venezuelano vai além da compra de petróleo bruto. Desde 2016, empresas chinesas já investiram cerca de US$ 2,1 bilhões no setor petrolífero venezuelano, participando de joint ventures com a estatal venezuelana PDVSA e projetos de exploração em campos estratégicos, como o Cinturão do Orinoco. Entre as companhias envolvidas estão a China National Petroleum Corporation (CNPC) e o Sinopec Group.