Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Em entrevista à TV GGN, Eliara Santana, pesquisadora de mídia e especialista em letramento midiático, aponta o movimento midiático sobre o suposto tráfico de influência do ministro do STF, Alexandre de Moraes, como um ataque orquestrado ao Supremo, na figura do ministro.
Eliara vê indícios do mesmo modus operandi utilizado na parceria mídia/operação Lava Jato. A arquitetura do “circo midiático” em cima da suposta conversa do ministro Alexandre com o presidente do Banco Central, pedindo em favor do Banco Master, aponta para a tentativa de desconstrução do STF.
“Nós já vimos esse filme”, afirma a analista.
Mesmo que não sejam “violentos”, Santana categoriza o movimento como um ataque grave. A desconstrução da figura principal do STF mobiliza a opinião pública contrariamente ao ministro e favorece um grupo político que tem como inimigo público e declarado o próprio Moraes, assim como ocorreu no período lavajatista. Nessa situação, é que o ataque, como vê Eliara, visa a instituição do Supremo Tribunal Federal.
Timing Perfeito
O primeiro fator apontado por ela é que, após 4 anos de governo Bolsonaro, em que o país viveu uma destruição democrática, os números do governo Lula demonstram um cenário positivo para o país e para uma possível reeleição do presidente. A projeção de inflação baixa para o próximo ano e o Brasil projetado no mundo novamente.
A extrema-direita, na eleição de 2026, ainda não tem seu candidato definido e, mesmo entre as opções, nenhum se coloca como capaz de derrotar Lula.
Outro fator é a presidência do STF com o ministro Fachin, que, segundo a analista, é suscetível a essas manobras midiáticas, um dos modos operandi da Operação Lava Jato.
Ao direcionar os ataques a Moraes, a desconstrução afeta todo o sistema judiciário. Diante de todo esse contexto, ela avalia que esse seria um cenário muito propício para esse tipo de “golpe branco”.
“Lá em 2014, quando eu pesquisava a parceria mídia/Lava Jato, muitos analistas achavam que eram teorias da conspiração; em seguida, foi comprovado que eu estava certa nas minhas análises”.
Para a pesquisadora, é preciso ficar atento a esses padrões de desconstrução de uma figura central para a manutenção da democracia no país, como é Moraes, para evitar cair em armadilhas como foi a manipulação midiática que operou como sustentáculo para a manutenção e relativização dos abusos cometidos pela Lava Jato.
Assista o programa completo:
Icaro Brum
Repórter no Jornal GGN, produtor e apresentador do Programa “Em Movimento” na TV GGN.