FUNDO AMAZÔNIA ATINGE RECORDE HISTÓRICO EM 2025 COM RETOMADA DA POLÍTICA AMBIENTAL

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Com mais de R$ 2 bilhões em projetos este ano, Fundo de investimentos reforçou papel como eixo estruturante da política ambiental brasileira

Foto: © Prefeitura de São José do Xingu (MT)

O Fundo Amazônia fechou 2025 uma fase inédita de expansão. Com mais de R$ 2 bilhões em projetos aprovados apenas neste ano, a ferramenta de investimentos atingiu o maior volume anual desde sua criação e reforçou seu papel como eixo estruturante da política ambiental brasileira, com impactos diretos na proteção da floresta, no desenvolvimento sustentável e na inclusão social na Amazônia Legal — além da ampliação de ações para o Cerrado e o Pantanal.

Os números foram apresentados na última semana, durante a Reunião Anual de Doadores do Fundo Amazônia com o BNDES, no Rio de Janeiro. O encontro marcou a prestação de contas aos países apoiadores e evidenciou a retomada operacional do fundo, agora com capacidade de execução em escala inédita.

Gerido pelo BNDES, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Fundo Amazônia é a maior iniciativa mundial voltada à redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) e um dos principais instrumentos da política climática do país. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a retomada permitiu acelerar análises, ampliar a cooperação internacional e transformar recursos em ações concretas nos territórios. Para ele, o desempenho atual demonstra que é possível combinar governança rigorosa, volume de financiamento e resultados efetivos.

O salto operacional é expressivo. Entre 2023 e 2025, foram aprovados e contratados R$ 3,7 bilhões em projetos — o equivalente a 56% de todo o volume apoiado desde a criação do fundo. Em contraste, entre 2009 e 2018, uma década inteira, o total aprovado foi de R$ 2,9 bilhões, em valores atualizados. A comparação explicita a reorganização da estrutura de gestão e a ampliação da capacidade de execução.

A retomada também se refletiu no apoio internacional. Desde 2023, o número de doadores passou de dois para nove países, incluindo Noruega, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Japão, Dinamarca, Irlanda e a União Europeia. No período, foram firmados US$ 309 milhões em novos contratos de doação, com US$ 212 milhões já internalizados, além de novos compromissos em negociação. Esse movimento contribui diretamente para as metas brasileiras no Acordo de Paris e para a implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, os resultados refletem a retomada da política ambiental no país. Ela destacou a redução superior a 50% do desmatamento na Amazônia em 2025, na comparação com 2022, o que amplia a capacidade de captação de recursos e permite direcioná-los a quem protege a floresta. O foco, segundo a ministra, são povos indígenas, comunidades tradicionais e populações locais.

Parte relevante dos recursos aprovados neste ciclo é destinada à prevenção e ao combate a incêndios florestais. O Fundo Amazônia financia a estruturação de 30 bases operacionais, a capacitação de cerca de 5 mil profissionais e a distribuição de 500 veículos e 30 mil equipamentos. As ações fortalecem brigadas estaduais e os Corpos de Bombeiros nos nove estados da Amazônia Legal e avançam para áreas do Cerrado e do Pantanal, em alinhamento com a política de Manejo Integrado do Fogo.

O secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, destacou que a cooperação internacional tem potencializado compromissos assumidos pelo Brasil. Ele citou a redução de 39,5% na média nacional de incêndios entre 2017 e 2024, com quedas expressivas na Amazônia e no Pantanal, além do avanço do programa União com os Municípios, que já reúne a maior parte das cidades prioritárias no combate ao desmatamento.

Na frente da restauração, o programa Restaura Amazônia destina R$ 450 milhões à recuperação de áreas degradadas. São 45 projetos selecionados, abrangendo Terras Indígenas, assentamentos e Unidades de Conservação, consolidando o chamado Arco da Restauração como política pública permanente. Já no eixo produtivo, o Fundo investiu R$ 595 milhões em atividades sustentáveis, beneficiando mais de 20 mil famílias e fortalecendo dezenas de organizações locais, com protagonismo de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Ao longo de 17 anos, o Fundo Amazônia aprovou mais de 140 projetos, apoiou 650 instituições, alcançou mais de 75% dos municípios da Amazônia Legal e beneficiou mais de 260 mil pessoas. Os dados de 2025, no entanto, indicam uma inflexão: o fundo deixa para trás um período de paralisia e passa a operar como uma das principais alavancas da política ambiental brasileira, com escala, capilaridade e relevância internacional.

Com informações do Canal Rural e Fundo Amazônia.

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