PUBLICITÁRIA, CAROLINE SARDÁ: “ANTIFEMINISMO É REACIONÁRIO E QUER CONTER OU REVERTER AVANÇOS DAS MULHERES”

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Caroline Sardá relata debate com 20 antifeministas e alerta para projetos que tentam restringir direitos

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Feminista aponta desconhecimento sobre pautas básicas e diz que grupos atuam para frear direitos com desinformação| Crédito: Arquivo pessoal

A publicitária e comunicadora Caroline Sardá participou recentemente de um debate no canal Espectro com 20 pessoas que se identificam como antifeministas. A experiência, segundo ela, escancarou que “as pessoas não sabiam o que era ser feminista, não ser feminista e ser antifeminista”.

Para a feminista, muitas participantes sequer compreendiam o que defendiam. “Elas acreditavam em caricaturas do feminismo, um imaginário de um feminismo que odeia homens, que quer o matriarcado”, afirmou ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato.

Sardá explica que o antifeminismo não é uma mera discordância pontual de pautas do movimento. “O antifeminismo é uma ideologia reacionária, ele é uma reação ao feminismo”, aponta. Historicamente, diz, esse campo político sempre atuou para impedir conquistas ou derrubar direitos. “Ao longo da história de luta das mulheres, nós sempre tivemos discursos e práticas que tentavam conter, deslegitimar ou reverter os avanços das mulheres”, indica.

Como exemplo, ela cita projetos atuais como o Projeto de Lei (PL) 1904, que equipara o aborto feito após 22 semanas ao crime de homicídio simples; o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 03, que tenta anular uma resolução que define diretrizes para o atendimento humanizado de meninas vítimas de estupro; e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 164, que altera o artigo 5º da Constituição para dizer que o direito à vida é “inviolável desde a concepção”.

A comunicadora também destacou a presença de mulheres negras no debate que se declararam antifeministas por não se enxergarem no movimento. Para Sardá, o problema é a falta de conhecimento sobre o feminismo negro e suas referências.

“Elas não sabiam da existência de Marielle Franco, Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro”, afirma. Ao mesmo tempo, pontua que parte das participantes defendia pautas alinhadas ao masculinismo, movimento que advoga pelo direito dos homens, chegando a apoiar “o controle da sexualidade feminina” e rejeitar métodos contraceptivos, planejamento familiar e aborto.

Um dos momentos que mais chamou atenção no debate foi o relato de uma participante negra, que sofreu abortos espontâneos e disse não ter recebido apoio de feministas. A reclamação tem relação direta com o PL 2755, proposta da deputada feminista Sâmia Bomfim (Psol-SP), que quer garantir o atendimento separado no Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres que sofreram aborto espontâneo ou óbito fetal.

“Elas veem o direito na prática e não sabem como ele chegou até ali”, explicou Sardá. Para ela, a compreensão sobre políticas públicas é limitada. “Vocês acham que o direito surge por osmose?”, questionou no debate. “Todos os direitos precisaram da reivindicação dos movimentos populares”, pontuou.

Para Caroline Sardá, debates públicos em plataformas digitais, inclusive com antifeministas e masculinistas, ajudam a “furar bolhas” e corrigir percepções distorcidas sobre o feminismo. “A equivalência entre feministas e masculinistas já existe no imaginário coletivo. Nosso papel é quebrar esse imaginário”, defende.

Segundo ela, checagens independentes, como as realizadas pelo Espectro, são essenciais para combater desinformação. “Um debatedor pode soltar dez fake news em três minutos. Sem checagem, isso viraliza e vira verdade”, aponta.

A feminista afirma ainda que o movimento defende pautas que beneficiam também os homens, diferentemente do que dizem antifeministas. Como exemplo, cita o Estatuto da Parentalidade, que equipara licença-maternidade e paternidade. “Nós, feministas, defendemos que homens e mulheres tenham a mesma responsabilidade sobre a criação dos filhos”, diz.

Já parte das deputadas antifeministas propõe projetos que, segundo ela, não têm um impacto real. “Até mesmo um projeto para homens coloca a culpa das violências no feminismo. Não melhora a vida de ninguém”, criticou.

Sobre limites nos debates, Sardá afirma que participa de confrontos com divergências políticas, mas evita discutir com figuras perigosas ou violentas. “Eu vou para debater ideias. Não aceito debate com extremistas que possam me colocar em risco”, revela.

Ainda assim, diz que toparia debater com quem defende, por exemplo, o fim do voto feminino. “Eu adoraria debater com uma pessoa dessas”, provoca, convidando em seguida a deputada bolsonarista Carol de Toni (PL-SC) para um debate.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 21h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato o programa é veiculado às 19h.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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