O documentário Nzila: favela, ancestralidade e saúde antirracista, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Movimento Negro Unificado (MNU), apresenta a saúde sob a ótica da ancestralidade e da organização comunitária. Nomeada “Nzila”, que significa “caminho” na língua bantu, a obra acompanha sete favelas do Rio de Janeiro e se conecta ao projeto Saúde na Favela pela Perspectiva Antirracista, que já formou cerca de 500 promotores populares.
Segundo o pesquisador Leonardo Brasil Bueno, a escolha estética e política do filme é disputar as narrativas sobre esses territórios. “O documentário mostra a perspectiva da favela pelo olhar da esperança, pelo olhar da resistência social, da promoção da saúde, não apenas pelo olhar da violência armada”, afirmou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Ele destaca que 80% das pessoas que usam o Sistema Único de Saúde (SUS) se declaram como negras, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o que reforça a urgência de políticas de saúde integral dessa população.
A atuação dos promotores populares é um dos focos da produção. “O promotor de saúde antirracista sabe conduzir ações de prevenção e identificar casos de violência e racismo”, explicou Bueno. As formações abrangem agentes comunitários, profissionais das unidades de saúde e lideranças locais, que lidam desde barreiras à assistência de gestantes negras até situações de violência envolvendo forças de segurança dentro de equipamentos públicos.
As formações e o documentário abrangem favelas como Vila Aliança, Manguinhos, Jacarezinho, Rocinha e Mangueirinha, territórios marcados por violações de direitos, operações policiais e casos recentes de violência letal, como a chacina recente ocorrida no Alemão e na Vila Cruzeiro.
Nzila teve a sua pré-estreia no Museu da Vida, no Rio, e será disponibilizado ao público em janeiro no YouTube e na Fioflix, plataforma de streaming da Fiocruz. “Disponibilizaremos de forma ampliada e pública”, disse o pesquisador, que também anunciou uma oitiva no Museu da Maré, na capital fluminense, para monitorar impactos das megaoperações policiais na saúde das comunidades.