CANDIDATA, RIXI MONCADA, DO PARTIDO LUBRE, DENUNCIOU FRAUDE NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE HONDURAS E AMEAÇAS DOS EUA E GOLPE

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Candidata do LIBRE denuncia fraude, alerta sobre TREP “hackeado” e pede contagem física dos votos pelo CNE

A candidata presidencial hondurenha pelo partido governista Libertad y Refundación (LIBRE), Rixi Moncada, vota em uma seção eleitoral durante as eleições gerais em Tegucigalpa, em 30 de novembro de 2025. Os hondurenhos começaram a votar para presidente no domingo, em meio a ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de cortar a ajuda ao país caso seu candidato preferido perca. (Foto de Orlando SIERRA / AFP)| Crédito: (Foto de Orlando SIERRA / AFP)

“Hoje será decidido o destino da pátria para a próxima década”, afirmou a candidata presidencial do Libertad y Refundación (LIBRE), Rixi Moncada, neste domingo (30), após votar em uma jornada eleitoral considerada decisiva para Honduras. Moncada aspira a se tornar a segunda mulher presidente de Honduras e a protagonizar um fato histórico: que uma mulher, a atual presidenta Xiomara Castro, passe a faixa presidencial para outra.

Diante das denúncias de tentativa de fraude por parte do bipartidarismo (Partido Nacional (PN) e Partido Liberal), a candidata reforçou à imprensa a importância de que cada voto seja contado, registrado nas atas e devidamente protegido durante seu traslado ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Ela reiterou que o Sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP) está “hackeado” pela oposição e que o LIBRE só reconhecerá a contagem oficial do CNE, que pode levar até o final de dezembro para divulgar os resultados definitivos.

Em linha com seu discurso de campanha, afirmou que o LIBRE aposta na defesa “da família hondurenha, dos 10 milhões de hondurenhos”, enquanto acusou a oposição de representar os interesses de “uma oligarquia de 25 grupos econômicos”.

Moncada rejeitou o que classificou como uma clara interferência dos EUA nas eleições hondurenhas, referindo-se às declarações recentes do presidente estadunidense Donald Trump, que pediu votos para o candidato do tradicional PN, Nasry “Tito” Asfura, e anunciou que concederia um indulto total ao ex-mandatário Juan Orlando Hernández (PN), atualmente preso nos Estados Unidos por crimes ligados ao narcotráfico.

“Juan Orlando Hernández é um chefe do narcotráfico. Foi julgado por tribunais de Nova York e condenado a 45 anos. Introduziu e contaminou o país com bilhões de dólares do tráfico”, afirmou a candidata. Acrescentou que o indulto promovido por Trump atende aos interesses “dos 25 grupos econômicos”, que — segundo ela — teriam impulsionado dois candidatos “para manter seus privilégios”. Nesse contexto, Moncada defende que as eleições deste domingo representam uma escolha entre “o retorno da narcoditadura, que tem dois candidatos em disputa, ou a continuidade da refundação”.

Moncada lembrou os antecedentes de fraude denunciados em eleições anteriores e afirmou que os “26 áudios e o TREP hackeado” confirmam tentativas de manipulação eleitoral. Durante a campanha, a candidata governista denunciou repetidamente tentativas de sabotagem ao processo, entre elas a suposta adulteração do TREP — instrumento responsável por mostrar tendências preliminares na noite eleitoral — por meio da introdução de atas falsas para favorecer Asfura.

Diante da controvérsia, a presidenta do CNE, Ana Paola Hall, reafirmou que o único resultado válido será o emitido pelo órgão eleitoral após a contagem física das atas originais, processo que, conforme a legislação vigente, pode se estender por até 30 dias. O TREP, lembrou, apenas oferece números preliminares, sem valor oficial.

As alegações de possíveis irregularidades se intensificaram no final de outubro, quando o procurador-geral, Johel Zelaya, revelou 26 gravações que — segundo o Ministério Público — envolvem dirigentes do Partido Nacional e um militar não identificado em um plano para manipular os resultados eleitorais. Nos áudios, aparece também a conselheira do CNE, Cossette López, conversando com líderes nacionalistas sobre estratégias para contestar uma eventual vitória de Moncada.

Enquanto o LIBRE e o Ministério Público consideram as gravações como evidência de uma “associação ilícita”, os partidos Nacional e Liberal, acompanhados pela Democracia Cristã e por setores da oposição midiática, classificaram os áudios como “falsos” e parte de uma “campanha suja”. Também afirmaram, sem apresentar provas, que o governo prepara uma fraude diante de sua “iminente derrota”.

Em resposta ao clima de acusações cruzadas, o LIBRE anunciou que realizará sua própria contagem das mais de 19 mil atas para “impedir uma nova fraude como as de 2013 e 2017”.

Editado por: Rafaella Couery.

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