ANISTIA DE GOLPISTAS É “RETROCESSO CRIMINOSO”, AFIRMOU VICE-LÍDER DO GOVERNO NO CONGRESSO

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BOLSONARO PRESO

Oposição tem votos para aprovar anistia, mas mobilização social e necessidade de rompimento com legado de impunidade devem barrar, acredita Luciene Cavalcante| Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Vice-líder do governo no Congresso Nacional, a deputada federal Luciene Cavalcante (Psol-SP) afirmou que a oposição bolsonarista intensificou, desde o anúncio do cumprimento definitivo da pena de prisão pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), as pressões para tentar recolocar em votação o Projeto de Lei (PL) da Anistia. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela relatou um dia de “muita tensão” no parlamento e articulações de alto nível entre a extrema direita, a Mesa Diretora da Câmara e presidentes de partidos.

Segundo a parlamentar, a oposição tem tentado “ganhar tempo” após o vídeo que, segundo ela, “configurou a tentativa de fuga do condenado e sentenciado Jair Messias Bolsonaro”. Cavalcante acredita que os bolsonaristas querem “tentar pautar novamente a anistia de alguma forma, mas eles não estão conseguindo”. Apesar do fracasso hoje, ela alertou que “eles vão seguir, durante a noite, buscando articulação, para amanhã, novamente, tentar pautar esse projeto.”

Segundo ela, as conversas em busca de apoio envolvem não apenas líderes partidários, mas também presidentes de partidos de direita. “Isso demonstra o nível de articulação que está sendo feita”, indicou. Ao mesmo tempo, a deputada admitiu que a base do governo não tem votos suficientes para barrar uma eventual ofensiva. “Nos bons dias aqui, chegamos a ter 120 votos. Então o centrão, hoje, com a extrema direita, tem voto para aprovar esse tipo de matéria”, analisou.

No entanto, ela lembrou que o plano inicial da oposição era votar a anistia logo após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, derrubada após uma grande mobilização social. A parlamentar avaliou, portanto, que a pressão popular deve impedir também novas tentativas. “O que vai mudar a nossa correlação de forças é a sociedade se manifestando. Não aceitamos mais impunidade, esse tipo de conduta que, infelizmente, sempre ocorreu no nosso país, de anistiar criminosos perigosos que armam contra o povo o tempo todo”, apontou.

Cavalcante também relacionou o movimento bolsonarista às novas investigações da Polícia Federal. Ela citou as operações Banco Master e Carbono Oculto, que, segundo a parlamentar, devem revelar o papel de agentes políticos em esquemas financeiros. “O núcleo político que certamente atuou de forma ativa para que toda essa fraude acontecesse vai aparecer”, ressaltou.

Questionada sobre o impacto democrático caso o PL da Anistia avance, a deputada afirmou que a aprovação significaria apagar responsabilidades históricas e ameaçar a própria ideia de justiça. “Se anistiarmos mais uma vez essas pessoas acima do bem e do mal, estamos dando um salvo conduto para toda a população de que o crime compensa”, avaliou. Para ela, a tentativa de anistiar golpistas representa um “retrocesso criminoso para a sociedade”.

Com o trânsito em julgado da ação penal decretado contra Bolsonaro e aliados, ela caracterizou o momento como histórico. “É a primeira vez na nossa história que temos a cúpula da organização criminosa sendo julgada com o devido processo legal e sendo sentenciada”, celebrou. Para a vice-líder, a condenação por tentativa violenta de golpe e outros crimes rompe uma tradição de impunidade a militares e autoridades de alto escalão.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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