“QUALQUER OUTRO JUIZ JÁ TERIA PRENDIDO BOLSONARO HÁ MUITO TEMPO”, AFIRMOU JURISTA SOBRE LIMITE DE PACIÊNCIA DO STF
afinsophia 23/11/2025 0
Para Ruy Espíndola, o ministro Alexandre de Moraes esticou a corda ao máximo

“Qualquer outro juiz de comarca já teria posto Bolsonaro na cadeia há muito tempo”. É assim que o jurista Ruy Espíndola avalia a atuação do Supremo Tribunal Federal na decisão que converteu a prisão domiciliar do ex-presidente em preventiva.
Segundo ele, o ministro Alexandre de Moraes esticou a corda ao máximo, tentando evitar que o episódio se transformasse em narrativa de perseguição política em meio à polarização extrema do país. Ou seja, Bolsonaro só não foi preso antes por cautela do STF.
“Em qualquer operação de Gaeco, em qualquer caso de organização criminosa, Bolsonaro já estaria na penitenciária desde o primeiro ato. Moraes foi extremamente cuidadoso porque sabia do impacto político e social da medida”, afirmou o professor de Direito Constitucional em entrevista ao jornalista Luis Nassif, durante o programa TVGGN 20 Horas, em edição especial deste sábado [confira abaixo].
Para o jurista, o próprio ex-presidente provocou o limite da paciência do tribunal. “O ponto de ruptura foi a tentativa de romper a tornozeleira, a mobilização de apoiadores e a proximidade de embaixadas estrangeiras. Qualquer juiz comum já teria decretado a prisão. Moraes segurou até onde deu”.
A situação se agrava com o comportamento da própria família, que acaba intensificando a crise e prejudicando ainda mais o ex-presidente ao produzirem provas contra si mesmos.
“Eles têm uma atitude criminal muito didática porque eles apresentam as provas dos seus ilícitos e assim eles facilitam muito a vida dos órgãos de persecução penal. E são pessoas com formação jurídica, tanto o Flávio quanto o Eduardo, têm ambos formação jurídica, mas eles não têm o mínimo cuidado, apelo à razão, porque essa perspectiva do like, da aprovação da mobilização do setor bolsonarista, ele é muito mais importante que o respeito à lei. Isso é triste, porque eles vão trazendo problemas severos para o pai”.
O jurista acrescenta que Bolsonaro sempre viveu à sombra de discursos de força e violência — metralhadora, milicianos, bravata — mas, na prática, é “extremamente frágil”. “Ele não tem estrutura emocional nem física para suportar qualquer encarceramento. Nem prisão domiciliar ele aguenta. A mínima pressão já o desestabiliza”.
Comparação com Lula
Para lançar luz sobre o processo democrático, Espíndola traça ainda um contraste direto entre o comportamento de Bolsonaro e o de Lula durante suas prisões.
“Há uma diferença abissal: Lula se entregou, respeitou o Judiciário, não convocou apoiadores para desafiar instituições. Discordou do processo, claro, mas o enfrentamento foi dentro da Justiça. Bolsonaro fez o oposto: afrontou decisões, estimulou seguidores e transformou a ilegalidade em estratégia política”.
Para ele, a prisão preventiva do ex-presidente não é perseguição, mas consequência inevitável de um comportamento repetido de desrespeito à lei. “No caso de Lula, o Judiciário atuou para conter abusos do Estado. No caso de Bolsonaro, o Judiciário precisa conter abusos contra o Estado”.
Assista à entrevista completa pelo link abaixo:
