ESPOSA DE CHOMSKY DESMENTE LIGAÇÃO DE LULA COM EPSTEIN; GLENN GREENWALD RECUA
afinsophia 16/11/2025 0
Valéria Chomsky nega que o filósofo tenha intermediado contato durante visita na prisão, desfazendo narrativa impulsionada por jornalista

A alegação de contato surgiu de um e-mail atribuído a Epstein e tornado público pelo Congresso dos Estados Unidos. Na mensagem, o empresário norte-americano escreveu a frase enigmática: “Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo”. A afirmação, sem qualquer corroboração, foi suficiente para alimentar uma onda de desinformação, inicialmente impulsionada pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald.
O desmentido formal
Valéria Chomsky, que é brasileira, classificou as alegações como “infundadas e mentirosas“. Ela afirmou ter acompanhado o marido na visita a Lula, então detido na Superintendência da Polícia Federal, e ressaltou as regras rigorosas de segurança do local.
A conclusão é direta: “Qualquer alegação de que teria havido um telefonema, durante a visita ou em qualquer outra ocasião, entre o presidente Lula e qualquer interlocutor – intermediado por Noam Chomsky – é infundada e mentirosa“.
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) também negou a versão, afirmando que a citada ligação telefônica “nunca aconteceu”.
Valéria informou ainda que seu marido está impossibilitado de se manifestar sobre o episódio, pois se recupera de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2023.
O recuo de Greenwald
A publicação da nota de Valéria no perfil de Glenn Greenwald também representa um recuo para o próprio jornalista. Ele havia dado um papel central na disseminação inicial da alegação. Greenwald havia relatado em uma postagem no X (antigo Twitter) que o linguista teria telefonado para Epstein de dentro da carceragem, baseando-se apenas no e-mail isolado do criminoso sexual.
A postagem de Greenwald, feita sem checagem prévia com a família Chomsky, serviu como chancela para perfis e sites alinhados à direita, que usaram a frase de Epstein como munição política, associando Lula ao financista.
O caso Epstein nos EUA
A divulgação dos e-mails faz parte da liberação de documentos pela Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA. O conteúdo reacende controvérsias e pressiona figuras públicas, incluindo o próprio presidente Donald Trump, que foi amigo de Epstein por cerca de duas décadas.
Documentos indicam que Epstein teria insinuado ser “o único capaz de derrubar Trump“, alegando que o republicano sabia de sua conduta criminosa. Trump, que nega envolvimento, diz ter rompido com Epstein em meados dos anos 2000.
