APESAR DA PRESSÃO DO SENADO, LULA CONFIRMA QUE QUER MESSIAS NO STF
Publicado por Lindiane Seno
As advertências chegaram ao Planalto ao longo da semana, em Brasília. Líderes de diferentes partidos relataram ao presidente que o clima entre os senadores é de resistência e que Messias enfrentaria dificuldades reais em uma votação no plenário.
As preocupações cresceram depois do processo de recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Embora aprovado, ele conseguiu apenas 45 votos favoráveis e 26 contrários, o placar mais apertado para um PGR desde a redemocratização. O resultado foi visto por líderes do Senado como um termômetro do ambiente político atual.
A indicação de Messias contraria o nome preferido hoje por parte da cúpula do Senado, que defende o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, para a vaga no STF. Lula, porém, deseja manter Pacheco no tabuleiro eleitoral e vê o senador como candidato ao governo de Minas Gerais em 2026.

Apesar das advertências, interlocutores do governo afirmam que Lula está decidido. Segundo um auxiliar próximo ao presidente, a indicação pode enfrentar resistência e avançar lentamente, mas não será retirada. A ordem é seguir com Messias até o fim.
Entre aliados do advogado-geral da União, o placar apertado obtido por Gonet foi interpretado de forma positiva. Integrantes desse grupo avaliam que, se o PGR passou mesmo após ter denunciado Jair Bolsonaro, Messias também tem condições de obter maioria.
A expectativa dos apoiadores é de que Messias reúna mais votos que Gonet. Eles afirmam que, além da base governista, o indicado deve conquistar parlamentares evangélicos, já que também professa a fé e tem diálogo aberto com esse segmento.
No Planalto, a avaliação é que a disputa será delicada, mas viável. Para o governo, a reação do Senado é um desafio político, não uma barreira definitiva, e a articulação em torno do nome de Messias continuará nos próximos dias.