ACUSADOS DO ‘NÚCLEO 2’ TINHAM ‘POSIÇÕES RELEVANTES’ E COMANDARAM AÇÕES GOLPISTAS, AFIRMA PGR

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Paulo Gonet afirma que grupo operacionalizou plano para impedir posse de Lula

Paulo Gonet (Foto: Antonio Augusto/STF)
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247 – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta terça-feira (23) que os integrantes do chamado segundo núcleo da trama golpista foram responsáveis por gerenciar operações da tentativa de manter Jair Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. A declaração foi feita durante sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que julga se aceita ou não a denúncia contra mais seis acusados. As informações são do próprio julgamento, conduzido no STF. As informações são do jornal O Globo.

“Os denunciados ocupavam posições profissionais relevantes ao tempo do desenvolvimento do processo de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e deposição do governo legitimamente constituído. Cada qual gerenciou ações da organização criminosa”, afirmou Gonet.

A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foi feita após a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes. Na fase anterior do julgamento, o STF já havia aceitado a denúncia contra Bolsonaro e outros sete aliados por participação no núcleo central da tentativa de golpe.

Nesta etapa, são analisadas as acusações contra o chamado segundo núcleo, formado por integrantes da gestão Bolsonaro que, segundo a PGR, utilizaram suas posições para operacionalizar ações da suposta organização criminosa. Entre os denunciados estão o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques; o general da reserva Mario Fernandes; o ex-assessor presidencial Filipe Martins; além de Marcelo Câmara, Marília Alencar e Fernando Oliveira.

De acordo com a acusação, Silvinei Vasques e os ex-diretores do Ministério da Justiça, Marília Alencar e Fernando Oliveira, teriam usado a estrutura da PRF para dificultar o acesso às urnas em regiões onde Lula teve maioria dos votos. Silvinei nega que os bloqueios tenham sido direcionados a eleitores do petista e alega que a operação não interferiu no resultado. Marília e Oliveira também rejeitam qualquer atuação irregular.

A denúncia também aponta que o general Mario Fernandes e o ex-assessor Marcelo Câmara atuaram em ações de monitoramento e neutralização de autoridades públicas, incluindo, segundo a PGR, a elaboração de um plano para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. A defesa de Fernandes reconhece a existência do documento mencionado, mas afirma que ele nunca foi entregue a ninguém. Já a defesa de Câmara alega que as informações utilizadas por ele foram obtidas por meio de fontes abertas.

Filipe Martins, por sua vez, é acusado de ter apresentado o projeto de decreto que estabeleceria medidas excepcionais no país, peça central da chamada “minuta do golpe”. Sua defesa nega envolvimento com o documento.

Agora, caberá aos cinco ministros da Primeira Turma do STF decidir se a denúncia será aceita, o que levaria os acusados à condição de réus e permitiria o início da ação penal.

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