LUIS NASSIF: DELEGADO LUIZ FERNANDO, DA SATIAGRAHA À ESPIONAGEM DA ABIN
Luiz Fernando assumiu a PF no auge da Satiagraha, quando Paulo Lacerda foi exonerado da ABIN, depois da armação do chamado grampo sem áudio
Luiz Fernando assumiu a Polícia Federal no auge da Satiagraha, quando Paulo Lacerda foi exonerado da ABIN, depois de uma armação do chamado grampo sem áudio – o suposto grampo de uma conversa entre o ilibado senador Demóstenes Torres e o Ministro Gilmar Mendes, atribuído por ambos (e pelo Ministro da Justiça Nelson Jobim) à ABIN.
Foi uma clara armação, desmontada na ocasião pelo meu blog, com o auxílio de leitores. O falso escândalo foi alimentado por uma capa da Veja falando em uma suposta república da espionagem. A matéria fazia um apanhado falso, dizendo que vários ministros do Supremo haviam sido vítimas de espionagem. A reportagem, por inverossímil, foi derrubada pelos blogs em meio dia. Mas motivou uma CPI do Grampo.
Dias depois, Jobim levou à CPI as supostas provas do grampo. A ABIN se defendera dizendo não possuir equipamentos de grampo, apenas de escuta. Jobim apresentou prints dos supostos equipamentos de grampo. Publiquei no Blog. Um leitor imediatamente pesquisou e constatou que o print de Jobim não passava de um recorte do site que vendia o equipamento – incluindo alguns erros que constavam no próprio site, O título da matéria foi “Jobim mentiu:”.
O passo seguinte foi colocar Luiz Fernando para conversar convosco. Ele veio a São Paulo, tivemos uma conversa pouco convincente. Na época, já corria a informação que Luiz Fernando usara indevidamente o Guardião – o sistema da PF que permitia grampear telefones. Dizia-se, inclusive, que ele teve alguma forma de participação na compra do Guardião.
Guardei a informação, nunca mais soube dele e, agora, ele ressurge como diretor da ABIN, envolvido com grampos ilegais.
A Associação dos Delegados da Polícia Federal – a verdadeira controladora da PF – é claramente uma caixinha de surpresa.