LEMBRANÇA DO FILÓSOFO-PSIQUIATRA, GUATTARI AOS ESTUDANTES, PROFESSORES E SERVIDORES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS PARTICIPANTES DA ELEIÇÃO PARA REITORA E REITOR

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PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

 

                               O agenciamento de enunciação coletiva que estratifica, sedimenta, reifica, imobiliza, serializa, aliena o sujeito tornando-o um sujeito-sujeitado, sujeito de enunciado da objetividade-subjetividade-dominante, ou seja, o sistema-paranoico-delirante capitalista/capitalístico alimentado por seus objetos-parciais, objetos-fálicos, objetos-fetichistas, sublimidade das mercadorias, começa, como afirma, Marx, na escola-primária.

 

Como trata-se de compulsão-obsessiva alienante, redundância-ressonante do significante, é, em verdade, um processual que, mesmo sendo a ordem tautológica do mesmo, chega ao seu ápice na Universidade. E se consagra nos mestrados, doutorados, e pós, pós, pós, a mediocridade da carreira-desfuncional com sua verticalidade-hierárquica e sua horizontalidade-subserviente: a viseira-institucional muito bem ajustada.

 

Este quadro, realiza, Marx: o trabalhador-alienado, com seu Desejo bloqueado no Buraco-Negro, encontra-se pronto para servir o Capital em todas suas metamorfoses: igrejas, esportes, BBB, jornal nacional, filmes, telenovela, sertanejos universitários, comunicação de massa, Disney World, e outros inebriamentos-fálicos do mundo burguês.

 

O filósofo-historiador-escritor, Elias Canetti, diria que é o momento em que o aguilhão se mostra com maior e intensa atuação no sujeito aguilhoada pela ordem dada ainda na infância e, que, na Universidade ficcional-ficcionante, mistificada-mistificante, falsificada-falsificante ele não será mais percebido, visto que ele já se tornou categoria-subjetiva-objetiva do profissional-universitário: Eu-Narcísico. 

 

A enunciação do filosofo-psiquiatra, Pierre Félix Guattari, vai poder nos colocar em condição de observarmos o perigo que seus personagens correm quando não estão engajados na singularidade-política da Universidade e que não sabem que a aula é  um ato político e que, dependendo do profissional e estudante, um marcador de poder. Marcador de poder burguês capitalista-capitalístico. Ou seja, se cursa Universidade para se tornar ou se confirmar burguês, com seus valores sádicos-masoquistas escravocratas. 

 

Se não for atentado para a função revolucionária da Universidade, ela apenas prolongará seu estado de hibernação-política, ou, estado hipnogógico, crepuscular, obnubilação, com mais um reitor-alienado ou reitora-alienada servidores eficientes sujeitos-sujeitados ao poder do mercado. Como afirmou uma socióloga da UFAM: “Função da Universidade é preparar mão de obra para o mercado”. É mole, meu? Não, é duro! 

 

Sem esse compromisso-político, Universidade Federal do Amazonas (UFAM) muito bem conformada e domesticada, propagadora do glamour das amenidades, só vai confirmar a força do familialismo como mostra, Guattari: “Negar magicamente a realidade social, evitar todas as conexões com os fluxos reais, só permanecendo possíveis o sonho e o isolamento infernal do sistema conjugal-familial, ou então, nos momentos de crise, um pequeno território miserável para se retrair solitário”.

 

Ou, então, a confirmação do triunfo do capitalismo/capitalístico profetizado pela oração ao Anjo da Guarda que as crianças eram obrigadas a rezar antes de dormir para aplacar o medo e  a culpa que se prolongou nos alcunhados adultos. Exemplo os antidemocratas bolsonaristas/nazifascistas e simuladores comunistas, socialistas:

“Meu Anjo da Guarda

Minha doce companhia,

Não me desampare

Nem de noite, nem de dia”.

 

E não desamparou mesmo. O sistema acompanha na vigília, dormindo, além, de elaborar os sonhos no palco onírico, já que o capitalismo é o senhor dos anéis do consciente e do inconsciente. 

 

Breve indicação: Este texto de Guattari, que agora publicamos, foi extraído pelo Afinsophia.Org, de seu estudo, Reflexões Sobre a Terapêutica Institucional e os Problemas de Higiene Mental no Meio  Estudantil.

 

                                                         AS CARACTERÍSTICAS PATOGÊNICAS DO  AMBIENTE DA UNIVERSIDADE

 

“O mundo estudantil é marcado por dimensões específicas de alienação. 

O jovem que chega à Universidade, sujeito ou não a transtornos mentais, vê sua personalidade reorganizada em função das características patogênicas do conjunto desse ambiente. Não é pois absurdo pensar numa ação preventiva nessa escala. 

 

 A situação do estudante implica um modo “transicional” de ser, nos diversos planos da maturação biológica, psicossexual, social, intelectual, política etc. A imagem da sociedade adulta esconde o conjunto de seu campo intencional. Ela é vivida como exterior, alienante e ao mesmo tempo desejável, visto que é o suporte de uma série de valores econômicos e de prestígio.

 

Reencontramos aqui o formalismo da ruptura dos planos de referência que “avalia” o estudante a partir do papel que ele vai ter de desempenhar quando “tiver terminado”. Enquanto isso não acontece, ele não passa de uma espécie de embrião, um futuro “papel importante” mal formado, e em todo caso nunca um sujeito “inteiro”. 

 

Vendo os estudantes deste ângulo, não seria possível separar os problemas de higiene mental dos problemas da pedagogia nem do necessário remanejamento das atuais práticas. 

 

Toda estrutura existente implica um permanente esmagamento da espontaneidade individual do jovem sujeito, da emergência de suas formas de expressão cultural e de seus atalhos, em certas ocasiões de difícil entendimento por um adulto que deixou de ser compreensivo, porém, com frequência inevitáveis para uma realização harmoniosa de seu desenvolvimento.

 

Como separar de modo absoluto os mecanismos de passividade, de bloqueio escrupuloso de um neurótico declarado, seus surtos de angústia na época das provas, da parte daqueles que conhecem os estudantes “normais”, problemas que eles superam, com maior ou menor grau de sucesso, mediante comportamentos estereotipados de estudar só para “passar”, de subserviência diante dos professores ou de oposição sistemática?

 

O fato de a instituição universitária organizar-se de modo a atender a necessidade de promoção hierárquica tal como definidas pelas empresas privadas e estatais sufoca o aspecto cultural e formador que deveria ser essencial dos “anos de aprendizagem”. Os estudantes que têm de assumir as dificuldades de seu próprio desenvolvimento no contexto de uma “frequentação” dos problemas científicos, literários, filosóficos mais elaborados da Humanidade, são tratados na verdade como sobras, como parentes pobres da sociedade. O fato de serem “filhos dos ricos” não alterar fundamentalmente sua condição “marginal”.

 

Tudo isso permanece bem geral e relativamente fácil de fazer entender. Mas esses problemas se encarnam, em cada caso particular, de uma maneira original que requer uma compreensão e interpretação  da parte dos terapeutas. É preciso ainda que estes tenham de alguma maneira conhecimento do ambiente estudantil. É preciso ainda que se sensibilizem e se preocupem por esses aspecto das coisas que é, verdadeiramente, tão importantes quanto as outras dimensões pessoais e biológicas que podem influir sobre a condição de um doente. 

 

As organizações estudantis deveriam ter, a sua maneira, uma “vocação terapêutica”, no sentido de reconhecer e assumir, à medida de suas  possibilidades, as dimensões de alienação do ambiente que representam”.

 

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