FAMÍLIAS DO MST OCUPAM USINA DE GRUPO LATIFUNDIÁRIO QUE ACUMULAVA DÍVIDAS TRABALHISTAS
Ação que transformar local em polo de produção agroecológica e sustentável de alimentos
Região já tem diversos acampamentos produtivos e sustentáveis – MST Pernambuco
A Usina era explorada desde a ditadura militar pelo Grupo João Santos, que já foi um dos mais poderosos da região. Na última década, a família latifundiária passou a ter problemas financeiros e hoje acumula dívidas, inclusive trabalhistas.
Localizada em uma das regiões que mais concentra conflitos agrários no estado de Pernambuco, a terra faz parte dos ativos que o grupo pretende vender, para dar andamento a um processo de recuperação judicial.
Segundo Jaime Amorim, da direção nacional do MST, a intenção do movimento é transformar a terra em uma área voltada para a produção sustentável de alimentos. O movimento já tem dez acampamentos produtivos na região.
“Essa ocupação marca a ocupação do conjunto da usina. Nosso objetivo é fazer um grande acampamento e iniciar um processo de negociação. Queremos garantir a desapropriação do todo. As terras da usina Santa Tereza devem estar a serviço da reforma agrária.”
No ano passado, o Grupo João Santos foi multado por descumprir um acordo para pagamento de dívidas de R$ 10, 7 bilhões com a União. Essa é considerada a maior transação tributária da história do Brasil.
O valor é referente a débitos por sonegação e débitos trabalhistas com cerca de 20 mil trabalhadores e trabalhadoras. R$ 270 milhões dizem respeito apenas à dívidas do FGTS. O conglomerado tem mais de 40 empresas.
O grupo também já foi condenado pelo assassinato de um trabalhador em uma manifestação grevista na década de 1990 e esteve envolvido em diversos casos de violência e retaliação contra famílias camponesas ao longo dos anos.
Maria Aparecida Pereira da Silva, dirigente nacional do MST em Pernambuco, afirma que a ocupação também é uma maneira de honrar a luta das vítimas da violência.
“Tiramos o mês de abri como mês de luta e resistência, em memória daqueles e daquelas que tombaram na luta em busca da terra prometira. Para que a terra tenha sua função social garantida, seguiremos ocupando. Hoje o compromisso do MST é combater a fome no Brasil”, disse ela.