“SOU FEMINISTA E ME ORGULHO DE SER MULHER”, DESTACOU A NOVA PRESIDENTA DO STM, MARIA ELIZABETH ROCHA

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Em discurso de posse, Maria Elizabeth Rocha cita defesa do Estado democrático de direito como um dos pilares de seu mandato

Ministra Maria Elizabeth Rocha, primeira presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Foto: Reprodução/STM

A ministra Maria Elizabeth Rocha foi empossada a primeira presidente do Superior Tribunal Militar (STM) em mais de 200 anos de existência, e citou a “transparência, reconhecimento identitário e defesa do Estado democrático de direito” como pilares de sua gestão no biênio 2025-2027.

“Sou feminista e me orgulho de ser mulher”, destacou a magistrada logo no início de seu discurso, ressaltando o trabalho das parlamentares eleitas para o Congresso Nacional em 1986 e que colaboraram para que as garantias femininas fossem fundamentalizadas na Constituição de 1988.

“Lamentavelmente o Brasil é considerado o segundo índice global de disparidade de gênero de 2024, um dos mais desiguais do mundo ocupando o 70º lugar. Isso reflete as mazelas de um Estado que ainda se debate contra discriminações e preconceitos herdados de uma estrutura patrimonialista patriarcal”, pontuou a ministra, citando inclusive a baixa presença feminina nos tribunais.

A nova presidente do STM destacou a necessidade de adoção de “programas de gestão fundados no reconhecimento e na ampliação dos direitos civis que privilegiem modos de ser e de viver distintos dos padrões androcêntricos”. (ponto de vista masculino no centro da visão de mundo).

Ao falar sobre os desafios encontrados pelos segmentos minoritários, a ministra Maria Elizabeth Rocha afirmou que, à frente do STM, buscará implementar um projeto permeado em três pilares: transparência, reconhecimento identitário e defesa do Estado democrático de direito.

“As Forças Armadas esquadrinhadas pela Constituição cidadã defendem a soberania da Nação e a segurança do regime democrático, quando o espectro dos conflitos internos e externos atinge o grau de gravidade máxima dando destaque à cadeia de comando, a hierarquia e a disciplina”.

“Tenho consciência de que a eliminação real e simbólica da violência ao lado do silenciamento e da invisibilidade dos indivíduos considerados heterogêneos e consequentemente indesejados não é natural, mas proveniente de um constructo social”, afirmou. “E se esses princípios Magnos se romperem, a Justiça Castrense Federal, a mais antiga do Brasil, é chamada a intervir (…)”.

Além disso, a ministra Maria Elizabeth Rocha tem como um dos objetivos centrais de seu mandato a aprovação no Congresso Nacional de uma Proposta de Emenda à Constituição (Pec) que autorize a Corte Militar como integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Natural de Belo Horizonte (MG), Maria Elizabeth é bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e tem mestrado em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. É também doutora em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fez pós-doutorado em Direito Constitucional na Universidade Clássica de Lisboa. 

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