CERTO, FERNANDA TORRES GANHOU O GLOBO DE OURO, MAS ELA NÃO PRECISA DO RECONHECIMENTO HIERARQUIZADOR PARA SER O TALENTO QUE É. ENQUANTO ESSE VALOR HIERÁRQUICO NOS SIGNIFICAR, NUNCA SEREMOS RACIONAIS
PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG
O filósofo, Sartre certa vez, prisioneiro no campo de concentração na Segunda Guerra, disse: “O planeta continua escuro, e o homem o animal mais sinistro”.
O planeta não tem qualquer responsabilidade se o percebemos como escuro, mas se nós continuamos animal sinistro, a escolhe é toda nossa. O filósofo, Nietzsche implica os valores-reativos que nós criamos, cultuamos, seguimos e propagamos como responsáveis por essa triste condição que tomamos como real e necessária que chama de sentimentos-morais e conceitos-morais.
Freud, diz que a maioria da humanidade é edipiana: precisa sempre de um pai-simbólico para sublimar suas inseguranças que são produzidas por suas angústias. Ou seja, as instituições, de todas as formas, inclusive as que premiam, são corpos-simbólicos do pai. E todos que acreditam nelas e as cultuam, são meros sujeitos-infantilizados: não se tornaram adultos-racionais.
Quem mais defende e lucra com essa ficção-social, é o sistema capitalista-capitalístico, porque seu maior alimentador e defensor é o sujeito-sujeitado que necessita obsessivamente dos objetos e ideias substantivos-substantivados: os que não atingiram a independência psíquica. Na Filosofia Existencialista, os que não têm Gravidade-Existencial e, jamais, atingirão a Grandeza Ontológica.
Assim, toda premiação, que é na verdade uma mistificação-significadora, ou, falsificação da Existência, não passa de Má Fé, como mostra Sartre: Ser o Que Não É. Ou, Não Ser o Que É.
A atriz Fernanda Torres, foi premiada como a melhor atriz pela instituição-filmográfica-hierarquizadora, Globo de Ouro, por sua interpretação no filme ‘Ainda Estou Aqui’, de Walter Salles, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, filho do deputado, Rubens Paiva, assassinado pela ditadura militar (1964-1985) cujo corpo nunca foi encontrado.
Tirando o elemento financeira da premiação, já que é implicada estreitamente com o sistema capitalista-capitalístico, Fernanda Torres, com seu talento e sua ética de engajada atriz, transcende essa hierarquização-premiadora. Ela é uma grandeza-estética que não precisa dos valores impostos pelo Globo de Ouro. Se não fosse escolhida, nada mudaria: ela continuaria com sua grandeza-estética-ética.
Mas o Brasil é um país, como a maioria dos países do planeta escuro, profundamente edipianizado e alimentador do “homem animal sinistro”. Seus valores são profundamente tristes, diria o filósofo holandês, Spinoza, por isso comemora, como comemora a vitória de seu time.
Portanto, nesse quadro de dor-existencial, enquanto os valores produtores dos sentimentos-morais e conceitos-morais, edipianamente-culposos, predominarem, sempre os nazifascista ameaçarão a Democracia-Real. Sempre um pai será esperado e mitificado. Principalmente um pai cruel, violento, degenerado.