BRAGA NETTO É GENERAL MODELO EM LIVRO DELIRANTE DO EXÉRCITO SOBRE INTERVENÇÃO NO RJ
por Daniele Amorim
De acordo com o jornalista Jorge Antônio Barros, que analisou o livro, o período foi marcado por um aumento expressivo na violência letal. “O ano de 2019 registrou o maior número de mortos por policiais desde 1998: 1.546 vítimas apenas até outubro”, apontou Barros, citando dados do Observatório da Intervenção. Além disso, 36,1% das mortes no período foram causadas por agentes do Estado, um recorde no Rio de Janeiro.

Durante a intervenção, também ocorreu o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a apenas três quilômetros do gabinete de Braga Netto. O então chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, que aparece ao lado do general em uma das fotografias do livro, foi preso em 2024 acusado de acobertar os mandantes do crime. A publicação, no entanto, omite qualquer menção a esses eventos e aos problemas estruturais da segurança pública.
“A história da intervenção foi patética”, declarou Barros, destacando que o modelo de segurança pública adotado pela gestão de Braga Netto focou em confrontos armados e grandes operações, sem enfrentamento efetivo às milícias ou à corrupção policial. A crise de violência no Rio já vinha se agravando antes da intervenção, com 134 policiais mortos em 2017, mas permaneceu crítica durante a gestão militar.

A publicação tem sido criticada por funcionar como peça promocional, ignorando as falhas e os impactos negativos da intervenção. “Foi uma gestão de espetáculos midiáticos e pouco resultado efetivo”, afirmou Barros. O relatório final do Observatório da Intervenção concluiu que a operação não trouxe mudanças significativas na segurança pública do estado.