“A MESMA POLÍCIA QUE MATA É A MESMA QUE COMETE SUICÍDIO”, LAMENTA MINISTRO DOS DIREITOS HUMANOS NA TVGGN

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Um em cada quatro policiais militares brasileiros que tiraram a própria vida em 2023 eram agentes paulistas. Ministro comenta o caso ao GGN; assista

O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, em entrevista ao jornalista Luis Nassif, elenca as prioridades do ministério. | Foto: divulgação/MDHC

O índice de policiais militares que tiraram a própria vida bateu recorde no estado de São Paulo em 2023, apontam os dados do 18º Anuário do Fórum de Segurança Pública. O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, falou com exclusividade ao jornalista Luís Nassif sobre o número chocante, que expõe a catástrofe da violência institucional. A entrevista foi exibida no programa TVGGN 20h, na na noite da última sexta-feira (26), no Youtube [Assista a íntegra no final da reportagem].

Para o ministro dos Direitos Humanos, esses registros são consequências de um problema estrutural e institucionalizado, que se agrava de maneira concomitante com a violência policial. “Qualquer política de Direitos Humanos tem que vir ancorada numa política de Segurança Pública. Nós temos que ser muito firmes e não há essa firmeza toda, basta ver as notícias sobre a relação da extrema-direita com aspectos muito complicados do crime organizado. É preciso pressionar as autoridades estaduais para que elas tomem as providências e o Ministério Público teria que ter um papel central, pensando inclusive na violência policial”, explicou.

“A violência policial, os excessos da polícia, não podem ser acreditados só na conta das polícias, que tem participação [nesses atos], mas com uma conivência enorme do sistema de justiça, tanto do Ministério Público como também do Judiciário, que deve atuar para coibir esses abusos. Os números do Anuário de Segurança Pública mostram que a mesma polícia que mata é a polícia que está cometendo suicídio (…) É preciso segurar em cima e ter a consequência, a responsabilização. O problema é que não acontece nada no Brasil”, acrescentou Almeida. 

“É muito fácil matar no país”

Ainda sobre a questão da Segurança Pública, o ministro do governo Lula (PT) chamou atenção para os homicídios. Em 2023, o número caiu, mas ainda foram registradas 39,5 mil mortes violentas em todo Brasil. 

“É chocante, é muito fácil matar uma pessoa no país, se ela for pobre, preta, se mora na periferia… é muito fácil matar. E nós temos um problema enorme com investigação de homicídio. Se matam as pessoas, não tem investigação. Nós precisamos, inclusive, ser mais consequentes no que concerne ao papel das polícias técnico-científicas”, disse. 

“Há uma preocupação muito grande da nossa parte com a questão dos homicídios no Brasil. Nós temos um convênio com a Assembleia Legislativa do Ceará, que faz estudos junto com o Observatório Nacional, e a partir dos dados vamos propor algumas medidas que nós consideramos que sejam interessantes para tentar reduzir esse número no Brasil”, pontuou.  

Ainda sobre as novidades importantes sobre os planos da pasta, Almeida falou que trabalha junto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, no projeto de “constitucionalizar efetivamente” o Sistema Único de Segurança Pública, o SUSP.

Assista a íntegra da entrevista

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