MOISÉS MENDES: O PRÓXIMO A DESMAIAR PODE SER UM GENERAL
24 de março de 2024 –
Os brasileiros merecem os presentes que o sistema de Justiça vem oferecendo ao país às vésperas de mais um 31 de março. O resgate da democracia passa também pelo fortalecimento da autoestima.
E o próximo presente, depois da prisão dos mandantes da morte de Marielle, poderia ser o pacote completo dos mandantes que mandavam nos mandantes presos.
É o que os clássicos da literatura, os antigos livros policiais de bolso e até as séries da Netflix e as novelas da Globo ensinam. Um mandante que manda executar tem atrás dele um mandante ou vários outros mandantes mais poderosos e encobertos.
Marcelo Freixo sabe disso, como sabem todos os que conhecem o funcionamento das milícias e similares. Não existe crime organizado no Rio sem suporte de estruturas políticas e institucionais poderosas.
A espera pela identificação dos mandantes que mandavam nos mandantes presos pode reproduzir e prolongar a angústia que persistiu até aqui, seis anos depois do crime. Mas agora o Brasil vai querer saber.
O caso Marielle amplifica o sentimento de que o Brasil é uma fábrica de bandidos que se transformam em delegados, promotores, procuradores, militares, juízes de baixas e altas cortes, deputados, senadores e até presidente da República.