AMNÉSIA-GOLPISTA: EX-ASSESSOR E PRÓXIMO DE BOLSONARO, TÉRCIO ARNAUD DISSE “NÃO SE LEMBRAR” DE REUNIÕES DE GOLPE

0
jair-bolsonaro-proibido-ir-a-eventos-forcas-armadas

Em encontros para tratar do golpe, Tércio disse que “não se recorda do que foi fazer no Palácio do Planalto”

Tercio Arnaud Tomaz teve sua página no Facebook excluída. Antes, tinha foto com o presidente Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução/DFRLab
Foto: Reprodução/Redes

Os depoimentos foram tornados públicos nesta sexta-feira (15), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Acompanhe o conteúdo dos outros depoimentos abaixo.

Ex-assessor especial de Bolsonaro na Presidência, Arnaud é apontado como um dos principais articuladores do “gabinete do ódio” do Palácio do Planalto. No inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado, ele é arrolado como um dos pivôs da articulação da disseminação de notícias falsas sobre as urnas e o processo eleitoral.

Próximo da família, ele estava com o ex-presidente na casa de veraneio dos Bolsonaro em Angra dos Reis, quando os Policiais Federais cumpriram Operação sobre o inquérito no dia 8 de fevereiro deste ano.

Ao negar se lembrar da reunião ministerial, os policiais disseram que há “gravação em áudio e vídeo” da reunião de Bolsonaro com os ministros e que ele estava presente. E leram para ele trechos da fala de Bolsonaro no encontro, no qual narrava fraude nas urnas eletrônicas para que Lula vencesse as eleições.

Questionado se ele concordava com as falas de Bolsonaro reproduzidas por eles no depoimento, Tércio disse que não responderia à pergunta e que não se lembrava do encontro.

A resposta foi a mesma durante todo o depoimento. Ainda que não negando responder às perguntas das autoridades e permanecer em silêncio – como o fizeram o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus aliados mais próximos intimados a depor: o general Augusto Heleno, o ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira e o ex-assessor Filipe Martins -, Tércio se esquivou de todas as questões e negou envolvimento com os crimes levantados.

O ex-assessor de Bolsonaro chegou a negar que recebeu o documento de Mauro Cid, ex-ajudante de Ordens do ex-mandatário, ao ex-ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueiro, no qual se trata o questionamento das urnas e afirma que o ministro deveria assumir esse questionamento de forma pública, em nome dos militares.

Ao afirmar que não lembra de ter recebido o documento, o próprio advogado de Tércio afirma que “nesse momento, o advogado do declarante pede para consignar que o teor dessa resposta pode ser alterado, dada a ausência de acesso a todos os documentos que instruem a investigação”.

O mesmo foi feito para a resposta do ex-assessor sobre a reunião de Jair Bolsonaro e os militares de alta cúpula para tratar de golpe, em novembro de 2022. Arnaud fala aos policiais que “não se recorda de ter participado dessa reunião”, e o advogado acrescenta informando que ele pode modificar essa resposta.

Os investigadores questionaram, então, o que ele foi fazer “no Palácio do Alvorada em um sábado à tarde (12.11.2022)”, e ele respondeu “que não se recorda do que foi fazer” e que “tinha livre acesso ao Palácio e sempre ficara à disposição do ex-presidente”.

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.