PESA SOBRE MAURO CID A AMEAÇA DA CONDENAÇÃO E A MISSÃO DE LAVAR A IMAGEM DAS FAs
11 de março de 2024 –
Não foram só as pesquisas de opinião, as afetadas pela manifestação de 25 de fevereiro, organizada pela igreja de Malafaia, para Bolsonaro, na Av. Paulista. Os gritos de apoio ao som de cânticos fizeram eco na tornozeleira eletrônica de Mauro Cid, que depõe, novamente, nesta segunda (11/03), na Polícia Federal. Neste final de semana Cid fez “vazar” para a Revista Veja, desconfianças em torno de informações da sua delação premiada, que ele diz ver com “contrariedade” e chamou de “interpretação”.
Outro ponto que calou fundo para o tente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, foi a sinalização da cúpula do Exército de que, apesar de ter direito por antiguidade na carreira militar, ele não será promovido a coronel.
O recado chegou. Cid tratou de rapidamente se reposicionar como “não traidor”, e embaralhar o jogo, no melhor estilo da cartilha militar, quando se trata de “contrainformação”. Logo se apressou em declarar: “Não sou traidor, nunca disse que o presidente tramou um golpe. O que havia eram propostas sobre o que fazer caso se comprovasse a fraude eleitoral, o que não se comprovou e nada foi feito”.
Acontece que ao se defrontar com o que já foi colhido no seu celular e no seu laptop (a reunião de julho já não foi mais gravada por ele, apesar de nós todos o termos visto circulando pela sala do Planalto), corre o risco de cair em contradições e ter a delação anulada. Na versão de Cid, ele mal foi questionado sobre o papel dos militares, “porque sabiam que eu não ia contar o que eles queriam ouvir”.
Assim, sem ninguém “remoer” nada, nem de um lado nem de outro, vira-se a página da história e, quem sabe, Mauro Cid consegue salvar o seu nome para numa próxima leva de promoções virar coronel? (E, talvez um dia, no cargo de general, volte a sonhar com aqueles planos naufragados?!!).
Há pontos a serem esclarecidos no depoimento que se inicia: Um deles, é se a minuta do golpe citada pelo general Marcos Freire Gomes em seu depoimento – que continua sob sigilo – é a mesma encontrada na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e outras coisas mais.
Não está fácil a vida de Mauro Cid. De um lado, pesa-lhe sobre os ombros a responsabilidade de passar a limpo a imagem das Forças Armadas, enlameada por seus superiores. Do outro, salvar a própria pele, não deixando que a condenação próxima a seu calcanhar ultrapasse dois anos. Caso isto aconteça, ele pode ser chamado a responder no Conselho de Justificação e ser banido das FAs. Já há, a esta altura, muitas unhas no sabugo, no Alto Comando.