MOISÉS MENDES: RICAÇOS FAZEM PARTE DO ÚLTIMO NÚCLEO GOLPISTA AINDA SOB PROTEÇÃO
Jornalistas lavajistas e militaristas, que bateram continência para os generais de Bolsonaro até pouco antes da aglomeração de Silas Malafaia na Paulista, deixaram as barricadas.
Braga Netto, Augusto Heleno e oficiais subalternos presos ou ainda soltos foram abandonados. Sergio Moro e Deltan Dallagnol já haviam sido largados muito antes. Apenas Merval Pereira ainda oferece proteção e consolo a Moro.
Mas as estruturas de comando das corporações de mídia e o colunismo de direita e extrema direita não abandonam o núcleo empresarial do golpismo. Esse é o último reduto ainda intacto e sob proteção das organizações.
Mas continua inalcançável e esquecido o núcleo dos empresários ricos que sustentavam com muito dinheiro as milícias bolsonaristas, dentro e fora do Palácio do Planalto, desde 2019.
“Há mais gente na fila de ricos coitados do 8 de janeiro”, escreveu Gaspari, como se estivesse comunicando uma descoberta ou oferecendo-se como vidente. O colunista não deu um nome de rico na fila, nem conhecido nem ainda não divulgado.
Mas Elio Gaspari e seus colegas colunistas dos jornalões respeitam muito os ricos coitados e não os identificam. Porque eles são, sem deboche, muito mais ricos do que coitados.
Se quisesse dizer os nomes dos ricaços coitados, citando os inquéritos em andamento, Gaspari poderia informar que grandes empresários continuam impunes, apesar de sob investigação desde março de 2019.
Poderia, mas não diz nada a respeito dos que botaram dinheiro nos projetos golpistas desde muito antes de Bolsonaro assumir o governo, como prevenção a qualquer eventual derrota do fascismo.
Há muitos ricos coitados entre os patrocinadores do 8 de janeiro, a maioria de facções ligadas ao agro pop do centro-oeste, já identificados em textos da jornalista Denise Assis aqui no 247. É uma lista extensa.
Mas há muito mais, do outro lado, jornalistas coitados e temerosos do que empresários ricos coitados. Também por isso, pela cumplicidade das corporações, os grandes patrocinadores do fascismo, e não só do golpismo, ainda não foram nem indiciados.
Não há pressão do jornalismo amigo para que sejam enquadrados pelo sistema de Justiça. O núcleo poderoso dos ricos coitados da extrema direita foi esquecido pela coitada da grande imprensa.