LUIS NASSIF: LULA ESTÁ PERDENDO ESPAÇO JUNTO AOS POBRES, EVANGÉLICOS OU NÃO

0
lula-evangelicos-stuckert

Até agora, Lula não conseguiu desenvolver um projeto de Nação tendo como foco central os pobres. Eles só aparecem nos discursos


Ricardo Stuckert

A decepção com Lula, nesta camada, pode ter facilitado o discurso religioso, mas o fator central é a decepção.

Até agora, Lula não conseguiu desenvolver um discurso, um projeto de Nação tendo como foco central os pobres. Eles só aparecem nos discursos.

É muito bonito e sofisticado falar em transição energética, digitalização, meio ambiente. Mas qual a participação dos mais pobres, dos empregos não qualificados. Mas, e eles?

Em certo momento da economia brasileira, quando o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estava a pleno vapor, antes que a Lava Jato acabasse com a engenharia brasileira, o governo Dilma Rousseff montou um acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Como havia um cronograma de início das obras, as construtoras consultariam o Cadastro Único, com todos os inscritos no Bolsa Família. Selecionariam aqueles com potencial para o trabalho e ministrariam treinamento.

Como depois disso veio o dilúvio, não sei do resultado final dessa parceria.

Em todos caso, ela mostrou um enorme potencial inaproveitado do país: as extensas redes de instituições distribuídas por todo o país, estruturas empresariais, sindicais, cooperativas, agricultura familiar, bancos públicos, Correios.

O grande papel do presidente seria montar um grupo de conselheiros – líderes ou presidentes de cada agência, mas que colocam a mão na massa – e trabalhar formas de organizar os pequenos, de montar arranjos produtivos, de desenvolver pesquisas que melhorassem a competitividade intrínseca de cada grupo, fundos garantidores de crédito.

Fala-se muito em tecnologias de ruptura. Mas melhorias incrementais em pequenas e médias empresas – dada sua quantidade no país -, tem muito mais impacto sobre o PIB.

O golpe dos precatórios

Ciro Gomes é sabido mas não é esperto. Em programa na CNN, denunciou que o governo federal estava beneficiando apenas os bancos e os investidores ao quitar os precatórios. Falou uma meia verdade. E, como dizia São Tomaz de Aquino, meia verdade é uma das formas de mentira.

O jogo consiste no seguinte.

  1. Anualmente o governo é obrigado a colocar no orçamento recursos para quitar precatórios – que são o resultado de ações já julgadas contra o governo.
  2. Aí o governo atrasa o pagamento. Apertados, os donos de precatórios vendem para especuladores de mercado, com um deságio médio de 30 a 50%. Segundo o TCU, apenas em 2022, 65% dos precatórios haviam trocado de mão.
  3. O investidor usa os recursos para pagar concessões ou quitar dívidas, pelo valor de face.

Portanto, é um golpe. Qual a parte da história que Ciro não contou:

  1. Esse golpe foi aplicado por Paulo Guedes, que atrasou o pagamento, em parte para poupar recursos para jogadas eleitoreiras, em parte para beneficiar seus parceiros do mercado.
  2. O Supremo Tribunal Federal ordenou que o governo quitasse os precatórios.
  3. Portanto, não havia nenhuma possibilidade do governo Lula não pagar os precatórios.

A injustiça nessa história é que os precatórios equivaliam a R$ 90 bilhões. Desses, R$ 49 bilhões eram de ações alimentares, e R$ 41,8 bilhões de ações comuns.

De quem o mercado roubou o dinheiro?

Apresentação

Luis Nassif

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.