RECUPERAÇÃO DO ACERVO DOS TRÊS PODERES DEPREDADOS POR GOLPISTAS JÁ CUSTOU R$ 21,1 MILHÕES AOS COFRES PÚBLICOS

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POLÍTICA

8 DE JANEIRO

Valores foram levantados pelo jornal O Globo e incluem peças de valor histórico e artístico
Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF)

06 de janeiro de 2024 

Manifestantes golpistas destroem prédios públicos no 8 de janeiro – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um ano após os ataques golpistas à Praça dos Três Poderes, em Brasília, a destruição e o processo de recuperação das peças depredadas pelos vândalos bolsonaristas que não aceitaram o resultado das eleições de 2022 já custou cerca de R$ 21,1 milhões aos cofres públicos. As informações são do jornal O Globo e levam em conta os gastos com restauração de peças dos acervos do Palácio do Planalto do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.

Segundo o jornal, os valores incluem recompra, importação de material e até casos de restaurações que precisam ser feitas em outros estados. Mesmo com o esforço de diferentes especialistas, cerca de 53 peças, ou quase um quarto do total destruído, não conseguiram ser totalmente reparadas ano passado e algumas ainda aguardam liberação para os trabalhos serem iniciados. Além disso, algumas obras ainda nem foram encontradas.

O maior prejuízo identificado foi no STF, onde a destruição custou cerca de R$ 12 milhões, e depredou cerca de 135 itens de valor histórico e outros 951 de uso diário. Entre o acervo depredado há mais de 20 itens de mobiliário histórico da corte que era da época do Brasil Império e painéis do fotógrafo Sebastião Salgado. Do prejuízo total, R$ 3,4 milhões foram apenas para a reconstrução do plenário da Corte, além de R$ 1,6 milhão em material audiovisual da TV Justiça.

Até o momento, segundo o jornal, foram restaurados 116 itens da corte, incluindo 22 esculturas, 21 telas e tapeçarias e 50 itens de mobiliário. Três espelhos e nove cadeiras estão em processo de restauração, enquanto a recuperação de outros 15 itens, como vasos e mobiliários, ainda está sendo estudada.

Parceria com Iphan

No Palácio do Planalto, por sua vez, o prejuízo foi de R$ 4,3 milhões e foi firmado um acordo de cooperação com o Iphan para restaurar 24 peças de valor artístico-histórico, como o relógio de Balthazar Martinot, presente recebido por Dom João VI e fabricado pelo relojoeiro a pedido do rei francês Luis XIV no século XVII. Os trabalhos devem começar neste mês por equipes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Do total de peças afetadas, três ficaram sob os cuidados de equipes especializadas da Secretaria-Geral e do Gabinete Adjunto de Gestão Interna: a escultura de ferro de Amilcar de Castro, a marquesa em metal e palha, de Anna Maria Niemeyer, e a mesa-vitrine de Sérgio Rodrigues.

De acordo com o levantamento, até o momento foram gastos R$ 297 mil para reconstruir o Palácio do Planalto. A maior parte com vidraçaria. Houve um dano de R$ 363 mil em equipamentos como computadores, monitores de vídeo e cadeiras. Além disso, foram extraviados bens no valor de R$ 142 mil.

Já no Congresso Nacional, o prejuízo com a destruição de bens do acervo foi da ordem de R$ 3,9 milhões, sendo R$ 2,7 mi somente na Câmara dos Deputados. Na Casa foram depredados 64 bens do acervo cultural que ficava em exposição para todos que visitavam o edifício. O técnicos já conseguiram recuperar mais de 80% do acervo, que inclui pinturas, esculturas e presentes. A Casa estimou um gasto de R$ 1,4 milhão para o reparo. Também foi desembolsado R$ 1,2 milhão com substituição de carpetes, persianas e com consertos nos sistemas elétrico e hidráulico.

No Senado, 21 obras de arte do acervo histórico foram reparadas e, segundo O Globo, duas ainda devem ser entregues neste ano: um painel do artista Athos Bulcão e a pintura “Ato de Assinatura da Primeira Constituição”, de Gustavo Hastoy, com reparos estimados em R$ 143 mil e R$ 800 mil, respectivamente.

De acordo com O Globo, o restauro da tapeçaria de Burle Marx foi o mais complexo e custou R$ 250 mil ao Senado. A peça precisou ser transportada até São Paulo para passar pelos cuidados de técnicos da Universidade de São Paulo e de especialistas em um processo que durou três meses. Ela será entregue simbolicamente em ato marcado para a próxima segunda-feira, dia 8, para marcar um ano dos ataques.

Edição: Camila Salmazio

 

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