‘PLANTAR FLORESTAS’: CONHEÇA EXPERIÊNCIAS PARA PRODUZIR EM ABUNDÂNCIA E SUPERAR CLIMAS EXTREMOS
BEM VIVER
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Programa Bem Viver apresenta sistemas agroflorestais no Ceará e na Amazônia como alternativas sustentáveis de produção
Redação
07 de dezembro de 2023 –
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Além das práticas agroecológicas com a terra, academia e movimentos populares defendem um novo paradigma para o planeta – Foto: Wellington Lenon
Plantar floresta, plantar diversidade, plantar estrutura, para que a gente possa ter recursos
Os laços inseparáveis de um contexto mundial de fome e destruição da natureza no modo de vida atual encontram respostas práticas e conceituais na agroecologia. Ao mesmo tempo, a cobrança por avanços em políticas públicas no setor ecoa uniformemente entre todas as pessoas que defendem o o modo de produção agroecológico.
Para ecoar algumas das experiências agroecológicas pelo Brasil, o programa Bem Viver desta quinta-feira (7) destaca a experiência do agroflorestor Antônio Gomides, no Crato (CE), que utiliza as redes sociais para divulgar a agricultura “com as leis da natureza” e as respostas de sistemas agroflorestais que resistem como solução ambiental e econômica em meio à seca mais severa dos últimos 100 anos na Amazônia.
Produzir em abundância
No interior do Ceará, Antônio Gomides é um agroflorestor, como ele mesmo se define. Por meio das redes sociais, ele vem mostrando que é possível produzir alimentos sem usar agrotóxicos, sem desmatar, sem destruir nada. E afirma: é possível produzir em abundância plantando floresta.
“A [partir da] maneira com que a floresta se estrutura, nós podemos obedecer às leis da natureza para conseguir erguer uma agricultura que possa unir pessoas, possa verdadeiramente reestruturar o solo, salvaguardar a genética e produzir um nível de abundância que a humanidade não está acostumada”, afirma, em entrevista para o Bem Viver.
Ao destacar a produção abundante, Gomides defende que os sistemas agroflorestais podem ir além de uma sustentabilidade “no limite” da questão da fome, sendo uma resposta de comida boa, saudável, diversa e em quantidade suficiente para a população.
“A ciência agroflorestal pode ensinar à humanidade novos caminhos para se trabalhar uma agricultura que tem tudo para ser implementada nesta geração, em busca de formar as próximas, para que a gente possa deixar um cenário em que outras pessoas, quando tiver a oportunidade de estar, possam também consumir e, naturalmente, ir deixando mais recursos para o futuro”, pontua Gomides.
Influenciador digital, ele encontrou nas redes sociais um caminho para ampliar a divulgação das tecnologias da agrofloresta e “fisgar” mais pessoas para que as árvores voltem para a propriedade agrícola e que se “plante alimento plantando árvore, plantando floresta”.
“Não é só não usar veneno, não é só não tocar fogo, não é só não poluir, é não fazer nada disso, mas plantar floresta, plantar diversidade, plantar estrutura, para que a gente possa ter recursos e valores, não só humanos, mas, sobretudo, ambientais, para verdadeiramente a gente poder ter um futuro mais brilhante, mais claro e mais paz para esse povo”, defende Gomides.
Superar a estiagem
No últimos meses, a região amazônica passou a sofrer com a pior estiagem dos últimos 121 anos. O clima extremo fez com que, por exemplo, o Rio Negro, em Manaus, atingisse a marca histórica de 13,59 cm no dia 16 de outubro de 2023.
A situação climática trouxe consequências severas para as populações dos 62 municípios do estado do Amazonas, que decretaram situação de emergência. A população sofre com dificuldade no acesso à água potável e alimentos.
Apesar do cenário, o Sistema Agroflorestal (SAF) criado pela família Seu Aldemir, sua esposa, Dona Neide Santos, 57, e os nove filhos, o SAF tem sido a principal fonte de alimento durante a emergência climática.
Dona Neide conta que antes a família foi chamada de maluca por começar a plantar mudas de pau-rosa. As pessoas diziam que a prática não tinha futuro. “E agora tá aí nosso SAF, cheio de árvore, que dá comida pra nós, dá fruta, dá madeira, dá alimento, né, que nesses tempos agora importa muito. Se não fosse essa terra, a gente não tinha o que comer”, comenta.