SENADO APROVA TEXTO-BASE DA REFORMA TRIBUTÁRIA; PROJETO VOLTA PARA A CÂMARA

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Plenário do Senado

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Na pauta, a proposta de emenda à Constituição (PEC 45/2019) que institui uma reforma no sistema tributário brasileiro. Posam para foto: senadora Augusta Brito (PT-CE); governador do Piauí, Rafael Fonteles; deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB); senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB); senador Otto Alencar (PSD-BA); relator da PEC 45/2019, senador Eduardo Braga (MDB-AM); senador Jorge Kajuru (PSB-GO); senadora Eliziane Gama (PSD-MA); senador Chico Rodrigues (PSB-RR); senador Beto Faro (PT-PA); senador Jaques Wagner (PT-BA); líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); senador Fabiano Contarato (PT-ES); senador Humberto Costa (PT-PE); senador Omar Aziz (PSD-AM); deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Placar foi de 53 a 24 na votação de segundo turno a favor da PEC

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Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

O plenário do Senado aprovou em segundo turno nesta quarta-feira (8) o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição da Reforma Tributária. O placar foi de 53 a 24, em vitória do governo. Uma das mudanças centrais da PEC é a substituição dos atuais cinco impostos sobre consumo por uma cobrança federal e uma estadual.

O texto aprovado é baseado no relatório sobre a PEC elaborado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM). Braga alterou a versão da PEC que veio da Câmara dos Deputados, aumentando para R$ 60 bilhões o fundo mantido pela União para reduzir as desigualdades regionais e sociais, diminuindo competências do comitê gestor do futuro imposto estadual e municipal, entre outras mudanças.

As alterações realizadas fazem com que o texto tenha que voltar para a Câmara dos Deputados.

Dia de articulações

A votação foi marcada pela intensa articulação de políticos, técnicos e lobistas que marcaram presença no plenário, discutiram pontos da proposta e até tiraram dúvidas de senadores ao longo do dia.

Estiveram presentes ao longo da tarde na Casa o secretário Extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda e idealizador da proposta, Bernard Appy, o relator da PEC na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-AL), os governadores do Rio de Janeiro, Santa Catarina e de Pernambuco, Claudio Castro (Republicanos), Jorginho Mello (PL) e Raquel Lyra (PSDB).

Ao todo, foram apresentadas nesta quarta 24 emendas ao texto do relator Eduardo Braga que foi aprovado na terça-feira na CCJ. A votação dos destaques segue nesta noite.

Mudanças em relação à Câmara

Dentre as alterações feitas pelos senadores, estão a previsão de um teto para a alíquota do Imposto Sobre Valor Agregado, o IVA, que será criado para substituir os cinco impostos existentes hoje sobre consumo e o aumento para R$ 60 bilhões do fundo que será mantido pela União para reduzir as desigualdades regionais após a aprovação da reforma.

Além disso, os senadores decidiram implementar um mecanismo para premiar entes que aumentem a arrecadação durante o período de transição entre o sistema atual de tributação e o novo. O objetivo e evitar o “efeito carona”, que faria com que os estados e municípios mantivessem o nível de arrecadação sem fiscalizar a implementação do novo sistema tributário.

Pela proposta da PEC aprovada na Câmara dos Deputados, o IVA seria dividido em dois, um para substituir os tributos federais (a CBS) e outro para substituir os tributos estaduais e municipais que existem hoje (o IBS). Essa transição, porém, será lenta, de forma que os novos tributos só serão completamente implementados a partir de 2033. Além disso, as regras da implantação do IBS serão completamente implementadas nos estados e municípios em 50 anos.

Protagonismo de Haddad

A reforma é uma das principais bandeiras do governo Lula encampada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e promete modernizar o sistema tributário, implementando um modelo de tributação utilizado atualmente em vários países desenvolvidos.

Ao longo da tramitação na Câmara e no Senado, porém, foram adicionadas várias exceções para alguns setores específicos conseguirem ter alíquotas reduzidas ou mesmo isenções, além de regimes especiais. Com isso, Haddad estimou que o valor do IVA deve ficar em torno de 27,5%, o que seria o maior do mundo. Ainda assim, especialistas, políticos e integrantes do governo têm ressaltado que a mudança do sistema de tributação trará benefícios significativos para economia brasileira, já que mesmo com essas exceções o novo modelo deverá ser mais simples e eficiente que o atual.

Edição: Thalita Pires

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