MANAUS, 354 ANOS! E POR FALAR EM ANIVERSÁRIO, POR ONDE ANDARAM SUAS GERAÇÕES?
PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG
“Quer tenhamos consciência ou não, o espaço construído nos interpela de diferentes pontos de vista: estilístico, histórico, funcional, afetivo… Os edifícios e construções de todos os tipos são máquina enunciadoras… Um bairro pobre ou uma favela fornecem-nos um outro discurso e manipulam em nós impulsos cognitivos e afetivo”.
Filósofo-psiquiatra Félix Guattari, sobre uma Cidade.
O filósofo não aniversária. O filósofo é aniversariante, pois é matéria de variação-contínua, hecceidade, movimento-intensivo autopoiético.
Uma cidade não aniversária. Uma cidade, como um filósofo, é aniversariante, pois é corpus imaterial e material em contínuo movimento-intensivo autopoiético. Uma cidade se movimenta como corpus estilístico, histórico, funcional e afetivo.
Uma cidade não é sua materialidade urbana: suas ruas, suas praças, seus prédios, suas caçadas, seus corpus materiais. Uma cidade é a relação afetiva e cognitiva de seus habitantes. É a relação social de todos que se concretiza como objetividade-subjetividade nos entremeios dos corpus urbanos.
O que significa, que uma cidade para ser ontologicamente um Corpus-Polis, uma Oykia como Morada-Ética, necessita de seus habitantes como gerações-dialéticas. Gerações que se sucedem como o Novo. O movimento-coletivo-produtivo-dialético, onde cada habitante é um ser-social-histórico. O que faz com que sempre exista gerações agindo como fluxos-mutantes e quantas-desterritorializantes. Territorializando, desterritorializando e reterritorializando ontologicamente a Cidade-Morada-Ser.
Dizem que uma geração é contada de dez em dez anos. Freud, diz que uma geração é contada de 30 em 30 anos. Outros dizem que uma geração é uma realidade temporal-espacial em forma de agenciamento coletivo de enunciação constituído de elementos econômico, político, social, psicológico, antropológico, jurídico, religioso, estético, ético, etc; que permitem se afirmar que se viveu tal geração. “Na minha geração…”. Sempre diferente da geração anterior.
Como toda geração é produtora do novo, uma cidade encontra-se em constante movimento-dialético autopoiético: se auto-cria. O que não se pode dizer e nem conceber de Manaus que comemora hoje, dia 24 de outubro, 354 anos.
Numa deslocação perspectivante desse presente para os passados, prescrutando gerações, parece que nunca existiu uma geração em Manaus, tal o grau da mesmidade, conformismo, imobilidade, mistificação, medo, baixa Potência de Agir ou, como diz o filósofo, Nietzsche, negação da Vontade de Potência em benefício do niilismo.
É fácil perceber as ausências de gerações em Manaus:
Os governantes atuam com os mesmos métodos arcaicos dos governantes passados. Os deputados, vereadores, senadores continuam com as mesmas posições reacionárias. Os capitalistas seguem compulsivamente protegendo seus amores: o lucro e avantagem exploradora. Os chamados intelectuais continuam cultuando o velho-charme-burguês-familialista. Grande parte dos profissionais é alienada, conformada, domesticada, reificada. As universidades são claras praticantes de ensinamentos sem qualquer vitalidade política-social. As proliferações de condomínios classes média, assim, como a proliferação de casebres nas periferias. Poucos entendem o Plano de Composição transformadora da Criança e do Adolescente. A essencialidade mutante do Movimento LGBTQI+. Os alcunhados partidos de esquerdas não aprenderam com Nietzsche que o homem é ser das distantes, por isso ficam aprisionados em seus Em-Si como todo burguês. Os entretenimentos seguem o mesmo modus tatibitate, como formas de violências contra a sensibilidade e inteligência da população. Os chamados artistas, não aprenderam com Marcel Duchamp, que“a arte é um caminho que leva para regiões que o tempo e o espeço não regem”. Têm pavor da desrealização dessa miserável e perversa objetividade escotomizante, por isso se grudam nela querendo dela o psicótico-deprimido reconhecimento. São sempre retaguarda. Jamais vanguarda. E, o pior, muito são fascistas, bolsonaristas. Aprisionados nestes egos-desnarcisados-megalomaníacos, não sabem que não existe artista fascista. Logo, não são artistas. Mas, tentam a ilusão e a simulação.
O grande barato é quando alguém que mudou encontra um conhecido do passado, sem geração, que não mudou e usa o mesmo discurso do passado. A saída é se fazer de cômico: “Pois é, né!”.
Pois é, Manaus! Sem gerações não existe aniversariante! Pode existir um tempo pulsado-cronologicamente sintetizado apoliticamente ( não existe cidade sem política) como quimera (o que não tem essência e nem existência) em 354 anos.
Mas mesmo neste quadro branco sem gerações como o novo, esse AFINSOPHIA.ORG te beija e abraça, Manaus!