SÍNDROME DE GUILLAIN BARRÉ: DOENÇA QUE ATINGE PERU NÃO É CONTAGIOSA E TEM ATENDIMENTO NO SUS

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EL SALVADOR-HEALTH-ZIKA-VIRUS

A patient suffering from the Guillain-Barre neurological syndrome recovers in the neurology ward of the Rosales National Hospital in San Salvador, on January 27, 2016. Health authorities have issued a national alert against the Aedes aegypti mosquito, vector of the Zika virus which might cause microcephaly and Guillain-Barré syndrome. AFP PHOTO / Marvin RECINOS (Photo by Marvin RECINOS / AFP)

PROGRAMA BEM VIVER

País vizinho decretou estado de emergência no sábado (8), após a morte de quatro pessoas em decorrência do distúrbio

Redação

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Paciente em El Salvador é tratada após diagnóstico da sindrome de Guillain Barré – Foto: Marvin RECINOS / AFP

Embora o Peru esteja sob estado de emergência, desde o último sábado (8), por conta de um surto incomum de síndrome de Guillain Barré, o Brasil não deve ser afetado pela situação do país vizinho.

A biomédica e neurocientista Mellanie Fontes-Dutra afirma que não se trata de uma doença transmissível, portanto, não há necessidade de medidas que limitem a circulação de pessoas ou que impeçam o turismo, por exemplo.

Mesmo assim, “as autoridades brasileiras precisam reforçar a atenção e aumentar a vigilância”, pondera a especialista que pesquisa virologia no pós-doutorado, em entrevista ao programa Bem Viver na edição desta quinta-feira (13).

:: Confira a entrevista completa no reprodutor de áudio logo abaixo do título da reportagem ::

A Síndrome de Guillain Barré é considerada uma doença autoimune, classificação utilizada para distúrbios que fazem com que anticorpos ajam contra o próprio organismo da pessoa.

“Ocorre alguma perturbação nos mecanismo de tolerância do sistema imunológico fazendo com que esse sistema ataque elementos do nosso corpo, ao invés de fazer apenas uma resposta ao que é estranho ao nosso corpo, que é a função dele”, explica Fontes-Dutra.

A síndrome é considerada uma doença rara. Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, a incidência anual é de 1-4 casos por 100 mil habitantes e pico entre 20 e 40 anos de idade.

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece tratamento gratuito para toda população, incluindo procedimentos, diagnósticos clínicos, de reabilitação e medicamentos.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil conta hoje com 136 Centros Especializados em Reabilitação, que atendem pacientes com a Síndrome de Guillain Barré pela rede pública de saúde.

Sintomas

Quando a doença ataca, o sistema nervoso costuma ser o primeiro a ser afetado.

“A síndrome atinge os nervos, que conectam o sistema nervoso com outras partes do nosso corpo, então um sintoma é uma fraqueza muscular, que normalmente começa pelas pernas, mas pode progredir e afetar o tronco, os braços, a face e os reflexos podem ficar perturbados”, afirma a pesquisadora.

Segundo a especialista, quando a doença chega no nível mais grave ela atinge os músculos da respiração.

No entanto, se a síndrome é identificada no estágio inicial o prognóstico costuma ser positivo, tranquiliza Fontes-Dutra.

Causas

Embora ainda não existam confirmações de o que pode estar por trás do surto no Peru, algumas possibilidades vêm sendo tratadas como certas.

A principal é a bactéria campylobacter, considerada a principal responsável por provocar a síndrome. 

O sintoma mais comum para quem é infectado com o organismo é diarréia. No entanto, em casos raros, pode ser desenvolvida a síndrome de Guillain Barré, explica Fontes-Dutra.

“Além da bactéria existem outras infecções, como por exemplo a zica, que pode causar a síndrome. Quando o Brasil passou por um momento crítico de zica, houve também um aumento de casos da síndrome de Guillain Barré”, lembra a pesquisadora.

Doenças como dengue, chikungunya, sarampo, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, vírus de influenza A, mycoplasma pneumoniae podem estar associadas ao surgimento da síndrome também. 

Por tanto, a pesquisadora reforça que o importante é ter atenção com as medidas preventivas para estas doenças, principalmente a bactéria campylobacter

“Para evitar a bactéria, é lavar corretamente as mãos, ante e durante a preparação de alimentos; manter a etiqueta de higiene principalmente depois de ir ao banheiro; e cuidar com a água que bebe”.

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