CIENTISTAS ALERTAM: NOSSA GERAÇÃO PODE SER A ÚLTIMA A VER A AMAZÔNIA DE PÉ

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(FILES) Aerial picture of a deforested area close to Sinop, Mato Grosso State, Brazil, taken on August 7, 2020. Earth lost an area of carbon-absorbing rainforest larger than Switzerland or the Netherlands in 2022, most of it destroyed to make way for cattle and commodity crops, an analysis of satellite data released on June 27, 2023, revealed. That is nearly a football pitch of mature tropical trees felled or burned every five seconds, night and day, and 10 percent more than the year before, according to the World Resources Institute (WRI). (Photo by Florian PLAUCHEUR / AFP)

COLAPSO À VISTA?

Estudo mostra que ‘limite climático’ em diversos ecossistemas pode ser atingido antes do esperado

Redação
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |

 

Processo de destruição da Amazônia pode estar avançando acima do estimado – FLORIAN PLAUCHEUR / AFP

A próxima geração pode não conviver com a Amazônia viva. O alerta é dos cientistas britânicos John Dearing e Simon Willcock, que realizaram estudo que mostra como diversos novos fatores podem acelerar o colapso de diferentes ecossistemas pelo mundo. A pesquisa foi publicada na edição de junho da revista científica Nature Sustainability.

O estudo usou modelos de computador para simular o avanço da degradação amazônica e de outros exemplos, como a atividade pesqueira no litoral da Índia, e verificar a aproximação de um conceito que pode ser chamado de “limite climático” – que é quando o ecossistema colapsa. No caso da Amazônia, isso representaria que a floresta atual, fechada e úmida, seria substituída por outra mais seca e aberta.

Estimativa da Organização das Nações Unidas prevê que esse tipo de colapso no ecossistema amazônico acontecerá por volta do ano de 2100. Mas as pesquisas de Willcock e Dearing mostraram que, de acordo com as condições atuais, isso pode acontecer antes.

“Pode acontecer mais cedo do que se pensa. Podemos dizer realisticamente que vamos ser a última geração a ver a Amazônia”, lamentou Willcock em entrevista à emissora portuguesa RTP.

O cientista também foi ouvido pela reportagem da Folha de S. Paulo. Ao jornal, explicou que a Amazônia sofre por uma combinação entre mudança climática, desmatamento, perda de biodiversidade devido à caça e eventos climáticos extremos. Isso tem acelerado o processo de degradação.

“Um trabalho recente mostrou que a Amazônia já está perdendo resiliência, enquanto outro indicou que, uma vez que o colapso começar, ele será rápido. Segundo esse trabalho, se o processo começar em 2030, por exemplo, ele poderá se completar em 2080. A principal incerteza é saber quando esse limiar crítico será cruzado”, afirmou à Folha.

Apesar do alerta, Willock e Dearing destacam que algumas atitudes que podem ser consideradas “pequenas” têm potencial para, ao menos, retardar o processo. No caso da Amazônia, por exemplo, a diminuição do desmatamento e da caça poderiam representar um bom começo.

“A mesma lógica [que causa destruição] pode funcionar de forma contrária. Potencialmente, se aplicarmos pressão positiva, podemos ver rápidas melhoras dos ecossistemas”, resumiu à RTP.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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