JUIZ APPIO DIZ AO CNJ QUE INVESTIGAVA O DESTINO DE R$ 3,1 BILHÕES DA LAVA JATO QUANDO FOI AFASTADO DO CARGO
Juiz Eduardo Appio apurava a destinação dos recursos arrecadados pela 13a. Vara Federal de Curitiba
De acordo com o testemunho, após a remessa de R$ 2,2 bilhões para uma variedade de entidades estatais e órgãos públicos, incluindo o Judiciário, um montante de R$ 842 milhões ainda permanecia nas contas da 13ª Vara Federal em setembro do ano anterior. No entanto, em fevereiro, esse valor teria sido drasticamente diminuído para cerca de R$ 200 milhões, provocando questionamentos do juiz sobre o paradeiro dos R$ 642 milhões faltantes.
Appio também levantou questões sobre a distribuição desses fundos, que, segundo ele, pode ter ocorrido sem critérios adequados e possivelmente em desacordo com as normas do CNJ. O conselho proíbe a atribuição arbitrária de penalidades monetárias e o uso de recursos para cobrir custos do Judiciário, promoção pessoal de magistrados ou fins políticos.
Em sua declaração, Appio mencionou que órgãos judiciais, como a 12ª Vara Federal de Curitiba e a 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, receberam partes do dinheiro da Lava Jato. O direcionamento dos recursos para essas varas, de acordo com o juiz, necessita de esclarecimentos e justificativas.
O afastamento de Appio ocorreu sob a suspeita de ter se comunicado com João Eduardo Malucelli, filho do juiz federal Marcelo Malucelli. O testemunho de Appio ao CNJ foi dado no contexto de uma auditoria especial na 13ª Vara e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Pedro Serrano, advogado de Appio, salientou que seu cliente não poderia se manifestar sobre o assunto nem confirmar as informações, visto que seu depoimento foi feito em sigilo.