LIRA TENTOU CHANTAGEAR LULA, MAS O PRESIDENTE O COLOCOU EM SEU LUGAR: NÃO HÁ ACORDO CONTRA O POVO
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A tramitação da PEC da Transição, entre o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), com a derrubada do orçamento secreto pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tomou um novo rumo. As articulações traçaram o futuro das emendas de relator, conhecidas como orçamento secreto.
Na avaliação de interlocutores com quem o petista conversou entre esse domingo (19) e segunda-feira (20), a conversa que o presidente eleito teve com Lira sobre a aprovação da PEC da Transição consegue ajudar a esclarecer o que aconteceu e as “proporções” que foram tomadas.
Na manhã de domingo (18), o petista encontrou-se com Lira no hotel em que está hospedado, em Brasília (DF). A reunião de Lula com o parlamentar aconteceu em meio a um clima de tensão sobre a PEC que, ao contrário do que o presidente da Câmara esperava, influenciou para a “perda” de seu poder.
Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, existem, ao menos, duas coisas que Lira falou durante o encontro, que aconteceu no domingo, que deixaram Lula muito enfurecido.
A primeira foi que o presidente da Câmara não iria conseguir aprovar na Casa a PEC com a “licença para gastar” de pelo menos R$ 145 bilhões acima do teto por dois anos com programas sociais como o Bolsa Família. A proposta é apreciada pelo presidente eleito desde sua campanha.
E a segunda, que Lula relatou para seus aliados, o deputado informou que os líderes partidários só aceitavam o prazo de um ano, e não de dois anos. O tempo era essencial para Lula, que desejava iniciar ajustes ao Orçamento deixado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) à realidade do país em 2023.
O petista também teria se incomodado com o fato de que Lira afirmou, no mesmo tom de cobrança que foi tido durante a conversa inteira, que não iria “nem discutir” a questão do orçamento secreto, porque considerava que o voto favorável, e decisivo, do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, já estava garantido.