PAULO MOREIRA LEITE: INDICADO PARA MINISTRO DA DEFESA DO GOVERNO LULA, JOSÉ MÚCIO, VOTOU PELO IMPEACHMENT DE DILMA, QUE NÃO COMETERA NENHUM CRIME

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O presidente do TCU, José Mucio Monteiro (Foto: Agência Brasil)

 

Por Paulo Moreira Leite

Entre os votos que alimentaram o golpe de 2016, quando Dilma Rousseff teve o mandato cassado sem provas, encontra-se José Múcio Monteiro, cotado para ocupar o Ministério da Defesa no terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. 

 Ex-deputado, nomeado ministro de Relações Institucionais entre 2007 e 2009, no segundo mandato de Lula, a seguir Múcio tornou-se ministro do TCU, também indicado por Lula. 

E aí ocorreu um fato lamentável. Em outubro de 2015, quando o tribunal julgou as contas de Dilma, ponto de passagem para que o pedido de impeachment fosse apresentado ao Congresso, numa operação política promovida pelo PSDB com ajuda dos barões da economia, Múcio encontrava-se no plenário — e votou contra uma presidente eleita pelo voto popular.

“Não é uma decisão fácil”, admitiu José Múcio, quando os jornalistas queriam entender o voto contra Dilma. “Mas foi tratada com voto calcado no relatório de 14 técnicos do tribunal, que se debruçaram sobre isso durante um ano. De maneira que não é um voto político, mas um voto técnico”, completou. “As contas estavam irregulares.” (Estado de S. Paulo, 8/10/2015). 

Sete anos mais tarde, o caráter “técnico” das denúncias contra Dilma se dissolveu em revelações vergonhosas sobre a Lava Jato e seus múltiplos braços auxiliares, envolvidos numa trama lamentável contra o Estado de Direito e a soberania popular. A operação que abriu caminho à extrema-direita de Jair Bolsonaro teve início ali, preparando a vergonhosa sessão do Congresso que afastou uma presidente eleita enquanto saudava um coronel condenado por tortura. 

Como o TCU tomou sua decisão por unanimidade — sob aplauso histérico da imprensa golpista — pode-se até argumentar que um voto contrário não faria diferença. Engano. Em 2015, o caráter “unânime” da decisão foi de grande serventia para sustentar a retórica do golpe, abafando irregularidades que mais tarde viriam a público. 

Sete anos mais tarde, o voto de 2015 pode indicar dificuldades para resistir a pressões inevitáveis na cadeira de Ministro da Defesa, cujo titular será encarregado de lidar com subordinados que comandam tropas, fuzis e canhões. Não é um cenário tranquilizador.

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