APÓS MANIFESTAÇÕES, IRÃ ESTUDA MUDAR LEI QUE OBRIGA MULHERES A USAREM O VÉU ISLÂMICO

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-- AFP PICTURES OF THE YEAR 2022 -- A protester holds a portrait of Mahsa Amini during a demonstration in support of Amini, a young Iranian woman who died after being arrested in Tehran by the Islamic Republic's morality police, on Istiklal avenue in Istanbul on September 20, 2022. - Amini, 22, was on a visit with her family to the Iranian capital when she was detained on September 13 by the police unit responsible for enforcing Iran's strict dress code for women, including the wearing of the headscarf in public. She was declared dead on September 16 by state television after having spent three days in a coma. (Photo by Ozan KOSE / AFP) / AFP PICTURES OF THE YEAR 2022

REFORMA 

Revolta causada pela morte da jovem iraniana de origem curda Mahsa Amini desencadeou uma onda de protestos no país

Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

Uma manifestante segura um retrato de Mahsa Amini, jovem iraniana que morreu após ser presa em Teerã pela chamada polícia moral – OZAN KOSE / AFP

Diante da forte onda de protestos, desencadeada em 16 de setembro pela morte da jovem Mahsa Amini, presa por, supostamente, cobrir a cabeça de maneira considerada incorreta no Irã, autoridades do país persa afirmaram que teve início um processo oficial de revisão da lei que exige que as mulheres cubram suas cabeças com o véu islâmico, chamado de hijab.

Inicialmente, a informação partiu do procurador-geral do Irã, Mohammad Jafar Montazeri. De acordo com ele, a possível reforma, que prevê o fim da atuação da chamada polícia moral, será tocada pelo Legislativo e Judiciário, que no Irã são Poderes controlados por forças conservadoras.

O Ministério do Interior informou que ocorreram mais de 300 óbitos desde que os protestos eclodiram no país. Entre as mortes estão membros das forças de segurança, manifestantes, além de membros de grupos armados qualificados como contrarrevolucionários. Essa é a primeira vez, desde o início dos protestos que o Irã divulga uma contagem oficial de mortos.

Leia mais: No Irã, protestos por morte de jovem podem ter culminado na morte de 185 pessoas

Várias ONGs estrangeiras, como a Iran Human Rights, que tem sede em Oslo, na Noruega, apontam que o número de mortos é de 448, diante da repressão policial. Um comitê de revisão se reuniu na última quarta-feira com a Comissão Cultural do Parlamento para discutir a reforma.

As manifestações em todo o país já causaram reações que começaram a sair do controle das autoridades. Nos últimos meses aumentam cada vez mais os relatos de mulheres sem o hijab. O presidente iraniano Ebrahim Raisi disse neste sábado que a República iraniana e suas fundações islâmicas estão protegidas pela Constituição, mas que “existem métodos de implementar a Constituição que podem ser flexíveis”.

Na esteira dos protestos, o Partido Popular da União do Irã Islâmico, composto por parentes do ex-presidente reformista Mohammad Khatami, exigiu que as autoridades “preparem os elementos legais para abrir caminho para o cancelamento da lei de obrigatoriedade do hijab. O oposicionistas também exigem que a República islâmica “anuncie oficialmente o fim das atividades da chamada polícia da moral” e permita manifestações pacíficas.

 

Com informações de AFP, AP e DW

Edição: Douglas Matos

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