EXTREMA POBREZA CRESCE QUASE 50% E ATINGE 17,9 MILHÕES DE BRASILEIROS EM 2021, DIZ IBGE
A homeless man eats a meal given to him by the project Covid Sem Fome (Covid Without Hunger) at the internationally renown tourist attraction of the Lapa Arches, in downtown Rio de Janeiro, Brazil, on May 05, 2021. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP)
Marca recorde significa que miséria já atinge 8,4% da população do país
O número de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza aumentou 48,2% em 2021 na comparação com o ano anterior. Isso significa que 5,8 milhões de pessoas passaram a viver com uma renda mensal per capita de até R$ 168 por mês.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (2), mostram ainda que o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza aumentou 22,7% no mesmo período, ou seja, mais 11,6 milhões de brasileiros passaram a viver com R$ 486 mensais per capita.
Com o aumento, o país passou a ter 62,5 milhões de pessoas (29,4% da população) abaixo da linha da pobreza, incluindo 17,9 milhões de pessoas na pobreza extrema (8,4%). Em outras palavras, aproximadamente um a cada três brasileiros era pobre em 2021.
Foram os maiores números e os maiores percentuais de ambos os grupos, desde o início da série, em 2012.
Os dados do IBGE também mostram que a pobreza atinge desproporcionalmente crianças e jovens. 46,2% das crianças de até 14 anos viviam abaixo da linha da pobreza em 2021, recorde da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o percentual era de 33,2%, o triplo dos idosos (10,4%).
A pobreza brasileira também tem cor e gênero. Cerca de 62,8% das pessoas que vivem em domicílios chefiados por mulheres sem cônjuge e com filhos menores de 14 anos estavam abaixo da linha de pobreza. Além disso, a proporção de negros (pretos e pardos) abaixo da linha de pobreza foi de 37,7%, pouco mais que o dobro da proporção de brancos (18,6%).
Os dados sobre rendimento também mostram disparidades. O rendimento médio domiciliar per capita foi de R$ 1.353 em 2021, menor nível da série histórica. Na comparação com 2020, o valor caiu 6,9%.
Ao longo da série, pretos e pardos permanecem ganhando metade do rendimento dos brancos e em 2021 não foi diferente: respectivamente, R$ 949 contra R$ 1.866. Ambos os rendimentos recuaram frente a 2020, mas pretos e pardos (8,6%) perderam mais do que os brancos (6%).
Os homens (R$1.393) receberam 5,9% a mais que as mulheres (R$1.315). A queda nos rendimentos também foi maior para elas: 7,5% contra 6,4% dos homens.
“A recuperação do mercado de trabalho em 2021 não foi suficiente para reverter as perdas de 2020. Isso e a redução dos valores do Auxílio-Emergencial, podem ajudar a explicar esse resultado”, explica André Simões, analista da pesquisa.
Na média da população, o rendimento do trabalho representava 75,3% do total de rendimentos, enquanto os Benefícios de programas sociais representavam 2,6%. No entanto, entre os que recebiam até um quarto de salário-mínimo per capita, o rendimento do trabalho representava 53,8%, enquanto a parcela proveniente de programas sociais chegava a 34,7%.
“São domicílios mais vulneráveis e com acesso limitado ao mercado de trabalho. Por isso, os programas sociais acabam tendo maior impacto”, afirma Simões.
No recorte regional, Nordeste (48,7%) e Norte (44,9%) tinham as maiores proporções de pessoas pobres na sua população. O percentual cai para 20,6% no Sudeste e também no Centro-Oeste, e 14,2% no Sul.
Edição: Nicolau Soares