COP27 INCORPORA DISCUSSÃO SOBRE COMPENSAÇÃO A PAÍSES MAIS VULNERÁVEIS A MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Egypt's Sameh Shoukry, President of COP27, speaks during the opening ceremony of the 2022 United Nations Climate Change Conference, more commonly known as COP27, at the Sharm El Sheikh International Convention Centre, in Egypt's Red Sea resort of the same name. - The UN's COP27 climate summit kicked off in Egypt with warnings against backsliding on efforts to cut emissions and calls for rich nations to compensate poor countries after a year of extreme weather disasters. (Photo by AFP)
Conferência de abertura lista avanços, mas traz alerta: mundo não está no caminho para atingir a meta de Paris de 1,5°C
Teve início neste domingo (6) a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), realizada no Egito. A cerimônia de abertura teve seu horário alterado por conta de discussões dos delegados dos países participantes sobre um tema chave para a conferência: compensações para as nações mais pobres e mais vulneráveis às mudanças climáticas.
Os discursos da cerimônia de abertura tiveram como tônica a lembrança da necessidade de implementar as mudanças necessárias para frear o aquecimento global.
O presidente da COP26, Alok Sharma, afirmou que, graças ao esforço global conjunto realizado no último ano, foi possível manter a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Ele disse, ainda, que a guerra da Ucrânia trouxe desafios inesperados, mas que ainda assim houve progressos em relação aos compromissos firmados na COP26, realizada no ano passado, em Glasgow, na Escócia. “Mais de 90% da economia global tem uma meta net zero [zerar o balanço líquido de emissões de gases do efeito estufa]”, afirmou Sharma, lembrando que em 2021 esse número era de 30%.
“As maiores empresas e instituições financeiras do mundo se comprometeram com o net zero e o fizeram com vigor, com uma parede global de capital criando empregos verdes e direcionando bilhões para as indústrias verdes de hoje e de amanhã”, disse.
Sharma reconheceu, entretanto, que ainda há desafios importantes pela frente. “Com a plena implementação de todos os compromissos em vigor hoje, os relatórios sugerem que estamos caminhando para um aquecimento de 1,7°C até o final do século”.
“Quantos alertas serão necessários?”
“Não estamos atualmente em um caminho que mantenha 1,5°C ao alcance. Devemos ser claros: a inação é míope e só pode adiar a catástrofe climática. De quantos alertas os líderes ainda precisam?”, questionou, ao citar enchentes históricas no Paquistão e na Nigéria e secas recorde na Europa, EUA e China.
Simon Stiell, chefe do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou sobre a responsabilização dos países pelas promessas feitas na COP26. “Apenas 29 países apresentaram planos nacionais rígidos desde a COP26; 29 não são 194. Então, aqui estou agora olhando para 165 países que devem revisitar e fortalecer suas promessas nacionais este ano”, afirmou.
Aclamado como novo presidente da COP para o próximo ano, o chanceler egípcio Sameh Shoukry, em discurso protocolar, elogiou a decisão sobre incorporar a discussão sobre compensação para aqueles que mais sofrem com as mudanças climáticas. “Estamos muito satisfeitos por ter pela primeira vez a discussão sobre perdas e danos, reconhecido como um assunto muito polêmico que deve ser tratado com transparência e dedicação.”
Oito anos mais quentes da história
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão das Nações Unidas (ONU), publicou um relatório provisório para a abertura da COP27. O documento afirma que os últimos oito anos (2015-2022) podem ter sido os mais quentes já registrados na história. O boletim estima que a temperatura média global em 2022 esteja 1,15°C acima dos níveis pré-industriais.
Edição: Thalita Pires