MEMORIAL PELAS VÍTIMAS DA COVID-19 SERÁ INSTALADO NA AV. PAULISTA NESTE DOMINGO

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Demonstrators protest in front of Planalto Palace in Brasilia on the day the country is expected to reach the milestone of 600,000 people killed by the novel coronavirus COVID-19, on October 8, 2021. - The coronavirus has killed at least 4,830,270 people since the outbreak emerged in China in December 2019, with nearly 600,000 of those just in Brazil, according to an AFP compilation of official data. (Photo by EVARISTO SA / AFP)

PARA NUNCA ESQUECER

Qualquer pessoa pode participar do ato e da pintura do memorial de 20 metros que acontece a partir das 13h

Gabriela Moncau
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

Política do governo Bolsonaro frente à pandemia causou centenas de milhares de mortes evitáveis – Evaristo Sa / AFP

Um painel de 20 metros com corações pintados, representando cada uma das cerca de 690 mil pessoas que morreram com covid-19 no Brasil vai ser instalado na av. Paulista, na altura do número 1403, neste domingo (23). Organizada pela Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico), a intervenção será acompanhada de um ato que acontece às 13h.  

A homenagem conta com o apoio do projeto “Eles poderiam estar vivos”. Nasceu como um documentário sobre como a política do governo Bolsonaro frente à pandemia causou centenas de milhares de mortes evitáveis. Lançado em setembro, está disponível no Youtube e, depois, se tornou um projeto permanente de produção audiovisual pela memória dos que perderam a vida durante a crise sanitária. 

Em depoimento à CPI da Covid-19 no Senado Federal, em 2021, o epidemiologista Pedro Hallal afirmou que, segundo cálculos da Epicovid, pesquisa da Universidade Federal de Pelotas, 400 mil mortes da pandemia poderiam ter sido evitadas.  

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Citando atrasos na compra de vacinas e desestímulo às medidas de cuidado, Hallal atribuiu à postura de Jair Bolsonaro (PL) a principal responsabilidade pelo país ter alcançado 13% das mortes por coronavírus no planeta, apesar de ter apenas 2,7% da população mundial.  

Para que não se repita 


Na última quinta-feira (20) sobreviventes e familiares de vítimas da pandemia se manifestaram em Brasília contra a reeleição de Bolsonaro / Robinson Jamal e Walmor Fernando

“Para que nunca mais um horror como o que vivemos se repita”, afirma Paola Falceta, presidente da Avico, “não podemos deixar esse capítulo da nossa história ser esquecido”.  

Paola, assistente social, fundou a Avico em abril de 2021, ao lado do advogado Gustavo Bernardes. Ela se contaminou com a doença enquanto cuidava de sua mãe, que foi uma vítima fatal da pandemia. Bernardes se infectou com o vírus no final de 2020, quando as vacinas ainda não tinham chegado no país. Foi internado, entubado e sofreu com graves sequelas. Atualmente, a associação tem aproximadamente 1800 membros, em 24 estados.  

“Não podemos deixar cair no esquecimento que os efeitos dessa pandemia poderiam ser minimizados e milhares de pessoas, como minha mãe, poderiam estar vivas se as medidas preventivas cabíveis tivessem sido tomadas”, salienta Falceta. 

Edição: Vivian Virissimo

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