LULA: “HISTÓRIA BRASILEIRA TEM DE SER VISTA DA PERSPECTIVA DE QUEM PERDEU”

Former Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva speaks at the metallurgical trade union while the Brazilian court decides on his appeal against a corruption conviction that could bar him from running in the 2018 presidential race, in Sao Bernardo do Campo, Brazil January 24, 2018. REUTERS/Leonardo Benassatto NO RESALES. NO ARCHIVES

PLURALIDADE

Em sessão de “Marighella”, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ex-presidente falou sobre pluralidade e evangélicos

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“É nas nossas diferenças que precisamos construir a nossa democracia”, disse Lula – Foto: Agência Brasil

Pouco antes de as luzes se apagarem e as cortinas se fecharem no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, para exibição do filme Marighella, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a história brasileira precisa ser vista do ponto de vista dos perdedores.

Ao contrário do que mostra a história oficial, lembrou, falando em pluralidade. “É nas nossas diferenças que precisamos construir a nossa democracia”, disse Lula ao lado de parte do elenco e líderes de movimentos sociais, na noite desta sexta-feira (3), em São Bernardo do Campo.

 Cabe a nós recontar um pouco da história deste país. porque sempre foi contada pelos vencedores

 

Antes do ex-presidente, falaram os presidentes da CUT, Sérgio Nobre, e da Força Sindical, Miguel Torres, além de João Paulo Rodrigues, da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Se Terra (MST).

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Três integrantes do filme também se manifestaram: a atriz Maria Marighella, vereadora e neta do guerrilheiro, e os atores Luiz Carlos Vasconcelos e Henrique Vieira. Foi anunciada ainda a presença do cineasta Juliano Dornelles, um dos diretores do filme Bacurau.

Evangélicos derrotarão Bolsonaro

Ator e pastor evangélico, Henrique fez o pronunciamento mais enfático. Ele pediu que não haja “generalização” envolvendo sua igreja, apontada às vezes como responsável pela eleição do atual presidente. E afirmou que é preciso manter “contato com a base evangélica popular deste país, (…) majoritariamente formada por pobres, trabalhadores, trabalhadoras, mulheres, negros, que lutam todos os dias para sobreviver”.

“Precisamos derrotar o fundamentalismo religioso neste país, dialogando com a base popular”, afirmou o ator e pastor, para acrescentar que no ano que vem os evangélicos “farão parte da derrota de Bolsonaro” nas eleições. “Não vamos generalizar, vamos dialogar e vamos afinar o pacto pela democracia. Vamos derrotar Bolsonaro, vamos derrotar o fundamentalismo religioso, a violência do Estado”, acrescentou.

Elite não quer inclusão social

Lula destacou o discurso. Disse que é preciso convencer a sociedade que o atual presidente não crê em Deus e não pratica nenhum dos ensinamentos bíblicos. Ao mesmo tempo, defendeu liberdade religiosa. “(Evangélicos são) cidadãos brasileiros que têm o direito de professar sua fé. E assim vale para todas as religiões”, disse o ex-presidente. Mas acrescentou: “Tem muito mercenário se fazendo passar por religioso, e muita gente enganando os humildes que precisam de apoio”.

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Sobre o filme, que começaria a ser exibido às 20h, Lula disse que Carlos Marighella “é uma das poucas pessoas que foram assassinadas pelo regime militar que a gente conseguiu transformar em símbolo”. E acrescentou que é preciso “valorizar a razão pela qual ele morreu”. Citou outros personagens, como Zumbi, Dandara e João Cândido. “Cabe a nós recontar um pouco da história deste país. porque sempre foi contada pelos vencedores”, afirmou.

Lula também fez referência às dificuldades para o avanço da democracia no Brasil. Afirmou que a elite do país “fica tão incomodada com Cuba, Nicarágua, Venezuela”, mas ao mesmo tempo apoiou sua prisão.

“Porque eles não queriam que a gente voltasse a governar este país, porque eles não querem inclusão social, que trabalhadores vivam bem.” O ex-presidente falou por exatos 20 minutos. Avisou que de segunda a quarta-feira participará de gravações para um documento, e que na quinta (9) vai viajar para a Argentina, onde permanecerá três dias.

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